Vocação – algo muito pessoal

Carlos nasceu no Paraguay em uma família nobre, descendente de espanhóis. Ao concluir o colegial, o jovem manifestou o desejo de ser padre. Logo o pai retrucou: seu avô era arquiteto, eu sou arquiteto, você também será arquiteto”. Carlos obedeceu e ingressou na Universidade. Foi um aluno brilhante e disciplinado.

No dia da formatura aconteceram todas aquelas cerimônias: discursos, entrega de diploma, baile, coquetel. Quando tudo terminou, Carlos pegou o “canudo”, dirigiu-se para o pai e disse: “Papai, aqui está o SEU diploma. Amanhã, às 18h00 tenho que me apresentar ao Seminário dos Padres Betharram onde sou esperado para iniciar o noviciado e meus estudos.

Cada um em sua vocação, suas inclinações, seu ideal, seus talentos. É pessoal e intransferível. Com cinco anos eu já queria ser padre. Os questionamentos vieram na filosofia obrigando-me a tomar uma decisão. Como padre escolhi os cursos de psicopedagogia e de jornalismo. Vieram outras escolhas que não prejudicavam o exercício do ministério sacerdotal.

Vocação é algo interior: família, ambiente, influenciam e condicionam. Mas, é preciso ouvir a voz interior. André e João conheceram Jesus no Rio Jordão. Sentiram-se atraídos por Ele. Quiseram conhecê-lo. Jesus oferece condições: “Vinde e vede!” Passaram a tarde toda conversando. Mais adiante Jesus chama Simão, Mateus e, assim, muitos outros. A cada um dá a oportunidade de responder livremente. Cada um tem um temperamento, uma personalidade, seu modo de ser, pensar e agir. Todos são chamados. Todos respondem livremente.

Samuel ouve o chamado. Responde, mas não sabe quem o chama. Ele precisa do sacerdote para discernir sua vocação. Deus conta com a mediação. Precisamos de alguém para nos ajudar a discernir. O sacerdote não diz a Samuel o que ele deve fazer. Diz apenas: “Da próxima vez que você ouvir o chamado diga: “Fala, Senhor que teu Servo escuta!” É preciso saber ouvir a voz interior. Os pais precisam ser “mediadores” e respeitarem as inclinações e escolhas de seus filhos. Queridos pais: qual seria a sua reação se um de seus filhos manifestasse o desejo de ser padre?

Quando escolhemos algo que está de acordo com nossas inclinações, interesses, dons e talentos, exercemos a profissão e a vocação com alegria. Somos nós mesmos. Realizamos aquilo que somos interiormente. Quando apenas interpretamos papeis, vivemos num teatro, os problemas serão sempre problemas e não, simplesmente um desafio a vencer e superar. Superar a nós mesmos!