Uma tenda entre nós-Advento

UMA TENDA ENTRE NÓS
TEMPO DO ADVENTO

APRESENTAÇÃO

Improvisação, pressa, superficialidade, rotina e monotonia, são os principais inimigos da comunicação. Isso vale com muito mais razão para as Celebrações Litúrgicas. Com uma agravante: da forma como as celebrações são feitas ou elas acolhem ou afastam as pessoas da comunidade.
Por isso, é conveniente que o Ciclo do Natal seja preparado em conjunto e não separadamente. E com uma certa antecedência, para que as Equipes de Liturgia e de Canto possam se preparar espiritualmente. A alegria do Natal depende de toda vivência do Advento; e a prática cristã depende da vivência de todo o tempo litúrgico.
Diz o documento de Puebla que Liturgia é Comunicação, mas isso depende dos atores em função, pois, a melhor de todas as peças teatrais mal interpretada ou interpretada por maus atores só pode desagradar e afastar a platéia
E leve-se em conta ainda que, nessa época do Natal, são muitas as pessoas afastadas da comunidade que dela se aproximam por tradição: dependendo das celebrações, elas continuarão participando com alegria, ou voltarão apenas no ano seguinte.
Com toda simplicidade, oferecemos aos interessados os estudos que promovemos em nossa Paróquia Cristo Rei tendo em vista preparar o povo para a vivência desse Tempo de Graça que, para muitos de nós, pode ser o parto da Criança que mora em nós e irá nos fazer mais felizes.

Côn. Luiz Carlos F. Magalhães
Na Festa de todos os Santos de 2003
ADVENTO
UM TEMPO DE ESPERANÇA
Ano C – 2003

1.Sentido litúrgico

Advento é tempo de gestação, de expectativa e de acolhimento. Esperar uma pessoa querida requer cuidadosa e alegre preparação, como uma noiva que se enfeita para a chegada do seu amado. Esperar o Senhor é aguçar nossa sensibilidade para captar os inúmeros sinais que revelam a presença amorosa de Deus em nosso tempo; é intensificar nosso desejo de felicidade plena, de relações fraternas e duradouras, de justiça e de paz; é afirmar profeticamente a esperança, superando todo o pessimismo e desencanto que nos abatem; é apressar o Advento do Reino com nosso engajamento nas lutas para transformar o mundo em casa de irmãos.
Nas primeiras semanas do Advento, esperamos a vinda definitiva e gloriosa do Cristo Salvador, alertas e vigilantes; nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, preparamos mais especialmente o seu nascimento em Belém.
Os profetas Jeremias, Baruc, Sofonias e Miquéias, e o evangelista Lucas  alimentam nossos sonhos: um mundo de paz e sem-violência: a esperança da “justiça, que vem de Deus”, e não do jogo oportunista da política e do poder humanos. A “mística da gravidez” perpassa todo este tempo, criando em nós uma atitude permanente de espera e nos fazendo crer na força escondida da vida que, continuamente, está para nascer. Cada celebração alimenta em nós o desejo e a esperança de um novo parto: a salvação que vem de Deus, e não da ambição humana, para um povo oprimido por tantas decepções, desesperanças e incertezas.
É preciso também considerar que, não só nós, cristãos, mas toda a humanidade e a criação estão em clima de Advento, de ansiosa espera, aguardando dias melhores e a manifestação visível do Reino de Deus: na realização do sonho de ver o lobo ao lado do cordeiro, a criança brincando com a víbora, justiça e paz se abraçando e todos os povos e culturas desabrochando, felizes e reconciliados.
Neste tempo que antecede o Natal, em cada celebração, somos convidados a proclamar profeticamente que o Senhor está chegando como libertador e seus sinais se manifestam nas lutas concretas dos pobres e de todos os que com eles se fazem solidários.
2.Sugestões para a celebração

a)a cor roxa pode ser substituída pela rosada: lembra uma espera alegre, que enche nossos corações de esperança e nos ajuda a distinguir o advento do tempo quaresmal, marcado pelo roxo da penitência.
b)A coroa do advento, feita com ramos verdes, enfeitadas com fitas coloridas e quatro velas que, progressivamente vão sendo acesas, retoma o costume judaico de celebrar a vinda da Luz na humanidade, dispersa pelos quatro pontos cardeais. Nos quatro domingos do Advento, as velas acesas convidam-nos a uma atitude crescente de vigilância e de abertura ao Senhor, que sempre vem e quer nos encontrar acordados e com lâmpadas acesas.
c)Em cada domingo se acende uma vela que poderá ser trazida na procissão de entrada ou na aclamação ao Evangelho. Se possível por crianças vestidas de túnicas coloridas. Como fundo musical-instrumental, “Adeste Fidelis”.
d)A comunidade reunida é sinal da espera do Advento do Senhor. É importante fazer uma acolhida bem afetuosa às pessoas, reconhecendo em cada uma delas a presença do Senhor que chega entre nós. Pode-se oferecer um pedaço de papel pequeno com o nome de uma virtude a ser praticada.
e)O advento é um tempo oportuno para aprofundar e melhorar as relações na família, na comunidade, na vizinhança, como um sinal visível da chegada do Reino entre nós. Tempo de busca de aproximação, de reconciliação, para aqueles que se distanciaram, se separaram.
f)Cuidar da comunicação: proclamar os vários textos bíblicos, procurando torná-los vivos e bem compreendidos pela comunidade. Não se fala nem se lê para si mesmo, mas para os outros. O leitor é um intérprete de Deus: ele empresta sua voz para Deus falar. Evitar fazer leitura: procurar interpretar e dar vida ao texto.
g)Valorizar o silêncio após cada leitura, após o canto do salmo e também após a homilia para possibilitar um diálogo orante, amoroso e comprometido entre Deus e a assembléia. Por que temos tanto medo do silêncio?
h)A resposta às preces poderá ser cantada, expressando expectativa, desejo, lembrando a súplica do Apocalipse: “Vem, Senhor Jesus!”
i)Escolher cantos que expressem o desejo de paz, de equilíbrio, de vida e de libertação em contraste com nossos tempos de violência, injustiça, fome, desemprego, desigualdade. Os cantores não devem colocar instrumentos altos demais nem cantar alto demais: é preciso ouvir o povo cantar. A função dos cantores é apenas monitorar o canto.
j)É bom ir montando o presépio aos poucos, durante o Advento, ou a partir do dia 15. Melhor usar troncos secos com brotos, galhos de árvore, material da própria natureza. Nesta época em que a imagem fala mais, é bom que o povo vá percebendo a aproximação do nascimento, através da arrumação do presépio, para lembrar a possibilidade de um novo nascimento pessoal.
k)Preparar o Natal em Grupo é a melhor maneira de intensificar a espera e alimentar a esperança: mas que possibilite interiorização, silêncio, oração, sempre ligados à situação de hoje e a um compromisso com a transformação pessoal e da realidade.
l)Nesse clima de preparação e expectativa de tempos melhores, é oportuno celebrar a Reconciliação, o perdão e a penitência, como sinal de conversão e vida nova. Leituras e cantos devem expressar esta atitude.
m)Os temas da gravidez e do parto falam forte no advento: é preciso fazer nascer essa criança que está dentro de nós: “quem não se tornar como criança, não entrará no Reino dos Céus”. O que precisamos fazer para “ser” criança?

1º DOMINGO DO ADVENTO ( 30 de novembro)
Tema: A libertação está próxima
Cor: roxa ( ou róseo )

Motivação inicial: Iniciando o Tempo do Advento, somos chamados à Vigilância. A Palavra de Deus nos orienta para a vivência da vigilância a fim de que possamos perceber os sinais da presença do Senhor que vem em nosso meio, para concretizar seu Reino de Justiça e de Paz. Preparemo-nos para celebrar o Natal pela oração, conversão, penitência, abrindo o coração para acolher o Deus-Menino. Que a cada dia o Senhor nos encontre vigilantes, atentos, vivendo a alegria e a esperança na expectativa da Vinda do Menino Deus, para que a comunidade torne-se evangelizadora e anunciadora da Boa Notícia da Chegada do Reino.
A Igreja no Brasil, durante o Tempo do Advento realiza a Campanha da Evangelização que, neste ano, tem como tema: Solidários na Evangelização.

1ª leitura (Jr 33,14-16): Jeremias Alimenta a nossa esperança: “farei cumprir a promessa… farei valer a lei e a justiça”. A vinda do Messias representa um gesto do amor misericordioso de Deus que irá trazer a paz e a libertação definitiva para o povo.

Salmo 25(24): Cantemos ao Senhor, agradecendo sua presença que é Vida e Esperança para  todos  nós.

2ª leitura (I Ts 3,12-4,2): Paulo exorta a comunidade de Tessalônica, a viver numa “santidade sem defeito preparando a vinda do Senhor”.  Para isso, é preciso viver numa constante e permanente transmutação, excluindo todo comodismo e superficialidade.

Evangelho (Lc 21,25-28,34-36): O anúncio dos sinais que acontecerão por ocasião da segunda vinda de Jesus nos ajudarão a examinar o nosso proceder para preparar o grande encontro com o Senhor que nos amou “antes da criação do mundo”.

Sugestões:  Com o início do Advento, dá-se início também a um novo ano litúrgico. O Advento nos põe num clima de espera e de esperança, em atitude de atenção e vigilância, e de alegria por causa da vinda do nosso Salvador. Nesta celebração, sugerimos que se explique o verdadeiro sentido do Advento e do Ciclo de Natal que há de se seguir, bem como a variedade de símbolos fortes deste tempo.

1.Preparar o Altar e a Mesa da Palavra com a cor rosada, como expressão de uma alegre espera que deve marcar todas as celebrações deste tempo.
2.Fazer a coroa do Advento com ramos verdes, enfeitada com fitas coloridas e, a cada domingo, introduzir uma vela até completar quatro no final do Advento. A vela e/ou a coroa poderá ser conduzida por crianças vestidas de túnicas coloridas, no início explicando-se o sentido daquele gesto. Como fundo musical-instrumental, “Adeste Fidelis”.
3.Aos pés do altar, ou outro local, colocar uma manjedoura, sugerindo preparação ativa. A arrumação exterior ajuda à interior. Na procissão de entrada entram algumas pessoas (crianças) trazendo pequenos corações vermelhos e colocam dentro da manjedoura. Pode entrar também o Lecionário ou Bíblia.
4.Ao acender a vela, na procissão de entrada ou no evangelho, a pessoa diz: “Bendito sejas, Deus da Vida, pela Luz de Cristo, que estamos esperando com toda ternura do coração. Que afaste as trevas de nosso interior”.
5.Dar destaque especial a todo o rito da Palavra: leituras pausadas, vivas, bem interpretadas que podem ser dialogadas, encenadas, contadas de memória ou cantada.
6.Nas leituras, para proporcionar participação da assembléia, pode-se repetir alguma frase-chave tirada das leituras…

2º Domingo do ADVENTO ( 7 de dezembro)
Tema: A salvação é oferta de Deus para todos.
Cor: roxa ( ou róseo )

Motivação inicial:  Neste segundo domingo do Advento a voz de João Batista continua sendo ouvida no deserto de nossa realidade, convidando-nos à conversão.  Nossos caminhos precisam ser endireitados, pois, a  corrupção, a violência e a injustiça impedem uma caminhada feliz. A criança que está dentro de nós quer nascer para apontar novo rumo para a nossa história: simplicidade, perdão, alegria, solidariedade. Atendendo à palavra do Papa, vamos também escancarar nossos corações para acolher o Senhor que vem para nos libertar. E com toda a Igreja do Brasil participemos da Campanha da Evangelização que quer colaborar na construção de uma sociedade fraterna e justa, sinal do Reino de Deus.

1ª Leitura : Bc 5, 1-9 O profeta Baruc sugere para trocarmos nossas vestimentas: “despir a veste de luto e aflição para tomar os vestidos brilhantes da alegria”. Ele sugere não tanto a mudança de roupas, que é muito fácil, mas, aquela mudança interior que exige atitude radical e constante.
Salmo 126/125:  Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

2ª Leitura : Fl 1, 4-6. 8-11 Paulo escreve uma carta bem amorosa às comunidades, expressando a certeza de que “aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus”.
Evangelho: Lc 3, 1-6 – João Batista recorda as palavras de Isaías fazendo um apelo à mudança de vida, a partir de uma mudança do coração: é no interior de nós mesmos que precisamos endireitar as veredas, rebaixar as montanhas e colinas, tornar os caminhos retos.

Sugestões: Precisamos continuar apresentando os símbolos do Advento que expressam esperança, alegria, desejo de acolher o Salvador que vem. Ele já está no meio de nós; dentro de nós. Advento é tempo de tomar consciência dessa presença amorosa e libertadora que empurra para a frente e levanta do comodismo, do pessimismo e da mediocridade. Nessa realidade em que vivemos com muitas perguntas e poucas respostas, a nossa  criança interior desperta para a criatividade e busca de novos caminhos.

1. Continua a cor rosada no Altar e na Mesa da Palavra, diferenciando do roxo da
quaresma: indica a alegria da espera.
3.Colocar algumas palhinhas na manjedoura, que são tiradas do coração: nosso calor humano para acolher a Criança que vai nascer. Pode-se colocar também alguma outra peça do presépio (carneiro, folhas secas). A manjedoura é o nosso coração.
4.Acender a segunda vela do Advento e fazer a bênção sugerida no primeiro domingo ou outra semelhante. A vela e/ou a coroa poderá ser conduzida por crianças vestidas de túnicas coloridas, explicando-se o sentido daquele gesto. Como fundo musical-instrumental “Adeste Fidelis”.
5.O rito penitencial poderá ser feito após a homilia, inspirando-se nas palavras de João Batista que nos convida a endireitar os caminhos: que situações concretas precisam hoje ser mudadas, endireitadas, tanto ao nível pessoal como comunitário e social?
6.Pode-se lembrar na celebração, alguns fatos que são sinais da vinda do Senhor, como a Festa da Imaculada que se celebra no dia 8 de dezembro, sugerindo a integração do feminino dentro de nós.
7.O Evangelho poderá ser narrado ou encenado por uma pessoa com veste que lembre a austeridade de João Batista.
8.Dar a bênção solene própria do Advento, com imposição das mãos sobre o povo conforme sugere o missal romano, página 519.
9.No final da celebração, sugerir um compromisso concreto para as pessoas viverem durante a semana como forma de preparação para o nascimento.
10.Na despedida, motivar para a coleta do próximo domingo, como oferta para a manutenção das atividades pastorais da Igreja em nível diocesano , regional e nacional, conforme decisão da CNBB.

3º DOMINGO DO ADVENTO  (14 de dezembro)
Tema: “Alegrai-vos sempre no Senhor”
Cor: Róseo ( rosa )

Motivação inicial: No terceiro domingo do Advento celebramos nossa alegria recordando as palavras de Jesus Ressuscitado que garantiu sua presença viva no meio de nós. Tomamos consciência de que não estamos preparando uma festa do passado, mas o nascimento da criança que precisa nascer de novo, hoje, dentro de nós: essa criança, símbolo do amor do Pai que se lembra de seu povo e envia seu próprios Filho. Tal qual a criança Moisés que aparece nas águas, Jesus surge nas águas do Jordão para anunciar e realizar a salvação tão esperada. Esse parto tem que acontecer no Natal: o Advento vem criar esse clima para o nascimento da criança que adormeceu dentro de nós e não vive a verdadeira alegria.

Neste Domingo somos convidados a colaborar com a obra evangelizadora da Igreja no Brasil. A coleta feita para a evangelização deve expressar nosso amadurecimento de fé, neste Advento, colocando-nos como solidários no trabalho da Evangelização.
1ª Leitura:   (Sf 3, 14-18) Sofonias nos deixa felizes ao anunciar que “O Senhor revogou a sentença contra ti… e que o Senhor está no meio de ti”. A promessa do Pai se realiza e tira de nós todo temor.

Salmo Responsorial  (Is 12): Exultai, cantando alegres… porque é grande em vosso meio o Deus Santo

2ª Leitura  (Fl 4, 4-7) São Paulo tira de nosso coração toda a tristeza quando nos diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos… O Senhor está próximo”.

Evangelho   (Lc 3, 10-18) Jesus dá uma resposta certa a cada pessoa que vem ao seu encontro buscando o melhor caminho para sua libertação. Para as multidões, os cobradores de impostos, os soldados e para nós Jesus diz o que fazer para estar com Ele, e ser Uno com Ele.

Sugestões: Continuamos acendendo as velas da coroa do Advento, sugerindo que sejam acesas em nosso coração. É a luz de Cristo que se torna mais forte à medida que caminhamos para o dia do nascimento da criança. Para muitos, pode ser um parto doloroso esse “voltar a ser criança”. Mas, é isso que o Natal sugere para nossa felicidade, conforme disse o Senhor: “Haverá maior alegria no céu por um só pecador que mude de vida”. E essa mudança, muitas vezes, é nas pequenas coisas.

1. Manter a cor rosada no Altar e na Mesa da Palavra, diferenciando do roxo da quaresma: indica a alegria da espera, o desejo de acolher a Criança que vai chegar. Acrescentar mais algumas peças no presépio (pastores, enfeites naturais), sugerindo atenção maior à preparação do coração.
2.Acender a terceira vela do Advento e fazer a bênção sugerida no primeiro domingo ou outra semelhante. A vela e/ou a coroa poderá ser conduzida por crianças vestidas de túnicas coloridas, no início da missa, ou no momento da aclamação, explicando-se o sentido desse gesto.
3.Neste domingo marcar toda a celebração com a alegria e a esperança. Uma equipe poderia acolher as pessoas na entrada do templo; nos ritos iniciais, a assembléia poderá saudar-se mutuamente, usando expressões semelhantes a: “Alegre-se! O Senhor está perto!”
4.A primeira leitura poderá ser feita com mais expressão, se possível, decorada.
5.No final da homilia, cabe um canto de alegria que fale dos sonhos do povo de Deus: “Vai ser tão bonito”, “Eu quero ver acontecer”, ou outro à escolha.
6.No abraço da paz, destacar a alegria como fruto da paz e da convivência na comunidade.
5. Realizar neste dia a coleta em favor da evangelização.

4º Domingo do Advento (21 de dezembro)
Tema: “Bendita és Tu que acreditaste”
Cor: roxa ( ou róseo )

Motivação inicial: Dois personagens são apresentados à comunidade neste final do tempo do Advento: Maria e José rumam para Belém aumentando a expectativa do nascimento da Criança que vem para salvar. Os gritos de João Batista no deserto de nosso coração, abafam as vozes exteriores e nos convidam também a uma viagem ao nosso interior. No silêncio, encontraremos aí o Deus que buscamos ansiosamente. Deus se revela, torna-se o Emanuel, o Deus-conosco, e vem tornar nosso sonho uma realidade. Ao ver a Criança nascer, realiza-se também, em nós, o parto da criança que mora em nosso interior e precisa ser mais presença em nossa vida, através de gestos, atitudes e relacionamentos.

1ª Leitura (Mq 5, 1-4a): Miquéias nos traz a notícia do nascimento da Criança, indicando a cidade onde deverá nascer. E revela a sua missão na história: “Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor… Estenderá o poder até os confins da terra”.

Salmo 79(80): Fazei, Senhor, brilhar a vossa face, convertei-nos para que sejamos salvos.

2ª Leitura (Hb 10, 5-10): Paulo nos lembra que os sacrifícios e oferendas não foram suficientes para a Reconciliação desejada. Por isso, o Filho vem ao encontro do povo para fazer a vontade do Pai. É o amor que salva e liberta, e nos reconcilia com toda a criação.

Evangelho (Lc 1, 39-45): Duas mulheres se encontram por causa de uma criança. Duas mulheres amadas e agraciadas por Deus. Não se encontram no Templo, mas na casa de Zacarias. É no cotidiano que Deus se revela o Deus-conosco.

Sugestões: Após a saudação do celebrante, um casal poderá entrar representando a figura de Maria e José, acompanhado das crianças que trazem a quarta vela do Advento.  Ela é colocada acesa na coroa do Advento. As crianças podem trazer também as imagens de José e de Maria e colocar no presépio, deixando transparecer a manjedoura vazia, reforçando nossa espera ansiosa. Pode-se lembrar que essa criança não está ainda no presépio, mas, sem dúvida, deve estar em nosso coração e precisa se tornar real em nossa vida cotidiana, como o foi para Maria e Isabel: elas ainda estavam grávidas, mas se transfiguraram por causa da criança que ainda iria nascer. Depende de nós realizar esse parto e deixar que essa criança se manifeste em nosso interior e provoque reconciliação, perdão, união, comunhão na comunidade.

1. O Altar e a Mesa da Palavra ainda estão com as cores rósea indicando alegria pelo nascimento que está para acontecer proximamente.
2. Ao colocar a quarta vela no Altar poderá ser rezada esta prece: “A luz de Cristo, que esperamos neste Advento, enxugue todas as lágrimas, acabe com todas as trevas, console quem está triste e traga muita alegria em nossos corações para celebrarmos juntos o Nascimento do Salvador!”.
3. Valorizar a participação das mães gestantes na celebração e convidar mulheres para participarem nas funções litúrgicas.
4. Se possível, a primeira leitura poderá ser decorada e anunciada com mais ênfase para indicar a cidade onde Jesus vai nascer.
5. O Evangelho poderá ser dialogado ou encenado
6. Dar a bênção própria do Advento à pág. 519 do Missal Romano. E onde for conveniente, a bênção para as mães gestantes:

Dirigente: Ó Deus, ternura de paz, nós te contemplamos na gravidez de Maria e na gravidez destas nossas irmãs. Elas nos ajudam a esperar, com toda a criação que geme e sofre em dores de parto, a libertação e a adoção de filhos e filhas de Deus. Dá saúde a estas crianças que estão para nascer e tranqüilidade para as mães que acolheram essa vida!
Resposta do Comentarista: E que neste Natal aprendamos a valorizar e defender a vida que está em nós e presente em toda a criação. Amém.
7. Preparar um informativo, um bilhete de lembrança, com o horário das celebrações do dia 24 e 25 de dezembro, e dos dias 31 e 01 de janeiro, para ser entregue na saída.

NATAL
UM TEMPO PARA RENASCER
Ano C – 2003

1. Sentido Litúrgico
O Natal é a festa do amor e da ternura de Deus por toda a humanidade: “De tal modo Deus amou o mundo, que enviou seu Filho único”, disse João. O Natal celebra a realização da Promessa de Deus de fazer uma aliança eterna de amor com toda a humanidade e de estabelecer o seu Reino no mundo: Reino de justiça, de amor e de paz. Não recordamos apenas um passado histórico, mas a presença eterna de Deus que vem morar entre nós e caminhar conosco.
O Advento foi um tempo para arrumar a nossa casa para acolher o Salvador, endireitando as veredas, rebaixando as montanhas, tornando os caminhos do coração, retos. O Natal é a Festa da chegada, do encontro, da realização da esperança. Ouvimos a voz dos anjos que anunciam a Boa Notícia e nos deixamos iluminar pela Luz.
Junto com os pastores de ontem e de hoje, tomamos consciência dessa presença e corremos ao seu encontro para ficar com ele. Os presentes que preparamos não são para a Criança que nasceu, mas para nós mesmos: ou seja, a mudança para melhor que aconteceu em nós, conquistada pela renúncia, pela disciplina, pela oração, pelo silêncio. Nós é acordamos, nascemos de novo, nos transfiguramos ou nos transmutamos para “sermos humanos” como o modelo Jesus. Como alguém chegou a dizer: “Tão humano como Jesus, só poderia ser Deus”.
Natal é a celebração do Presente da Presença. É o Pai que nos dá um Presente para ser eterna presença em nós, para nós, conosco e no meio de nós. Para ver a grande Luz que é Jesus é preciso deitar-se no chão do estábulo, contemplar as estrelas, olhar para a frágil criança e silenciar: meditar, ouvir, adorar. E aí no silêncio, redescobrir o sentido da paz, da harmonia, da convivência entre todas as criaturas, sem privilégios, preconceitos, exclusões. E depois de meditar, levantar-se com o compromisso de ser Uno com Deus e com os outros, a fim de dar uma contribuição pessoal para que as pessoas, a sociedade, o   mundo seja melhor.
Natal é a Festa da Luz e da Unidade: no presépio estão os reis e pastores, os animais e as plantas, a mãe terra e as estrelas, os mensageiros do céu e os humanos: imagem de um sonho e um projeto de Deus para a humanidade que conseguiu grandes progressos materiais, mas ainda não cresceu e evoluiu como ser humano. Não entendeu a proposta de Deus: Crescei, como ser humano, para se tornar imagem e de Deus, e multiplicai o relacionamento com todos, sem exclusão de ninguém, formando comunidade, para ser semelhante à Trindade.

2. Sugestões para a celebração
a)criar um ambiente de alegria, de paz, de harmonia com as toalhas brancas, as flores, o presépio, as luzes, as estrelas e uma alegre confraternização. Alguns membros da comunidade, com vestes brancas, poderão ficar na porta do templo para acolher as pessoas, cumprimentar, dando a mão, saudando, “Seja bem-vindo à Festa da Luz”; e oferecendo folhetos da celebração. Lembrar que algumas pessoas que chegam há algum tempo não participam da comunidade.
b)No início da celebração um jovem com túnica branca poderá entrar com o Círio Pascal, para ligar essa Festa da Luz com a Festa da Páscoa: Ele nasceu e Ressuscitou para ficar sempre conosco, no meio de nós.
c)Começar a celebração com alguma encenação, com mensagem específica para este ano, apresentando uma mensagem que – imaginamos – Jesus traria para nós, numa linha de vivência de sua mensagem. O que significa para nós o Natal? Qual o recado que Jesus nos dá hoje, diante de toda a situação de materialismo, superficialidade, hedonismo e consumismo? Tem sentido apenas encenar o nascimento já que será lido no evangelho?