Filho de Antônio
Alves de Siqueira e Luiza Alves de Siqueira, Dom Antônio Maria Alves
de Siqueira nasceu no subdistrito de Santa Cecília, na cidade de São
Paulo, em 14 de novembro de 1906. Matriculou-se em 1918 no Seminário
Menor de Pirapora, recebendo o sacerdócio das mãos de Dom Duarte Leopoldo,
em 15 de agosto de 1930. Durante 17 anos lecionou no Seminário Central
do Ipiranga, do qual foi diretor espiritual, vice-reitor e reitor.
Dom José Gaspar o nomeou membro do Cabido Metropolitano e confiou-lhe
a parte musical e artística do Congresso Eucarístico de 1942.
Em 20 de julho
de 1947, Dom Antônio foi sagrado Bispo e no dia 19 de julho de 1957
foi designado Arcebispo titular de Calcídia, na Síria, e Auxiliar
da Arquidiocese de São Paulo. Seu lema episcopal "In fide et lenitate"
- "Na Fé e na Mansidão" - foi expressão de toda a sua vida. Destacou-se
como orador especializado na pregação de retiros e escritor de várias
obras: "Gólgotha" (1946); "Filosofia da Educação" (1948); "Nossa Senhora
Aparecida" (1956); "Consolando os que sofrem" (1959); "Itinerário"
(1959); "A serviço da Rainha" (1961); "Livro de Maria" (1963) e "Crux
Fidelis" (1980). Teve, ainda, uma coluna diária no Correio Paulistano,
em 1957.
Em 20 de julho
de 1957 foi promovido a Arcebispo Coadjutor de São Paulo e, em 1966,
a Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão da Arquidiocese de Campinas.
Quando nomeado para a Arquidiocese de Campinas, Dom Antônio exerceu
o cargo de Vigário Episcopal de Jundiaí, com a incumbência de preparar
a cidade para sede de uma nova Diocese.
Seguindo as orientações
do Concílio Vaticano II e a abertura pastoral iniciada por Dom Paulo,
Dom Antonio deu grande apoio à Cúria, ao Conselho de Presbíteros e
ao Secretariado Pastoral, iniciando uma nova fase na vida da Igreja,
que passou a ter maior participação em seus próprios organismos e
governo colegiado. Assim, valorizou e ampliou os poderes do Coordenador
de Pastoral e dos Vigários Regionais, incentivando as coordenações
por Vigararia. Valorizou também o trabalho dos leigos, formando o
Conselho Arquidiocesano de Pastoral, fomentando a formação dos Conselhos
de Pastoral Paroquial e organizando o Ministério dos Ministros Extraordinários
da Eucaristia. Iniciou a Revisão Pré-Sinodal, através de uma ampla
pesquisa, levando a uma consciência maior de planejamento a partir
dos anseios da base. Apoiou também a organização de Cursos de Teologia
para Leigos e a formação do Instituto de Pastoral. Com a renúncia
de Dom Paulo de Tarso Campos, assumiu a Arquidiocese de Campinas em
19 de setembro de 1968.
Na Arquidiocese,
Dom Antônio enfrentou o problema da crise das vocações que atingia
todo o país, ordenando apenas 16 presbíteros. Acompanhou as reflexões
da CNBB em sua 10ª Assembléia Geral, trazendo como fonte de estudos
o "Documento dos Presbíteros".
Teve interesse
especial pela comunicação, apoiando a formação da Equipe de Opinião
Pública, a criação do Boletim "Encontro", em 1968, a reformulação
de "A Tribuna", em 1969, e a divulgação do Boletim "Arquidiocese Informa"
em 1976. Aprovou e incentivou os Cursos de Treinamento de Liderança
Cristã para jovens, iniciado pelo Padre Haroldo Rahm. Nas modificações
realizadas no prédio do Seminário (Prédio da Engenharia da PUC-Campinas,
no Swift), reservou uma parte para o Movimento "Cursilhos de Cristandade",
hoje "Casa de Encontros da Arquidiocese". Trabalhou para a conclusão
do Templo Votivo, realizando o grande sonho de Dom Paulo de Tarso,
que pôde inaugurá-lo antes de sua morte.
Em razão da orientação
pastoral, não foram criadas muitas paróquias na Arquidiocese. As Assembléias
da Igreja de Campinas ofereceram elementos indispensáveis para um
Planejamento Pastoral, a partir das carências e da escolha de prioridades.
Na Assembléia de 1973, Dom Antônio Siqueira e Dom José Maritano, Bispo
de Macapá, comprometeram-se a caminhar juntos numa linha de colaboração
e ajuda mútua dentro do Projeto de Igrejas Irmãs, já em vigor em várias
dioceses do Brasil. Aprovou a criação da Paróquia e de uma Pastoral
Universitária, a Pastoral das Vilas Planejadas, os Centros Comunitários
da periferia, a criação da Comissão de Justiça e Paz e do Conselho
Arquidiocesano de Administração. Aboliu os títulos honoríficos de
Cônego e Monsenhor e aprovou o Diretório sobre o Ministério Sacerdotal
com as exigências e condições para integrar-se ou incardinar-se ao
Presbitério de Campinas.
No dia 07 de março
de 1976, Dom Antônio deu posse a Dom Gilberto Pereira Lopes, que fora
nomeado Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão de Campinas em
24 de dezembro de 1975. Juntamente com Dom Gilberto e os demais Bispos
da Província, Dom Antônio criou o Instituto Teológico Paulo VI, na
Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e o Seminário Provincial
de Teologia para estudantes de toda a Província Eclesiástica.
No mês de agosto
de 1978 confiou todo o trabalho pastoral e administrativo a Dom Gilberto,
Arcebispo Coadjutor, reservando-se apenas a uma presença mais assídua
na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e a assistência amiga
aos presbíteros, conforme aprovação do Cardeal Sebastião Baggio, Prefeito
da Congregação dos Bispos. Em novembro do mesmo ano, Dom Antônio deixou
o Palácio Episcopal para morar em uma residência mais simples, no
Bairro Nova Campinas, com sua irmã e familiares. Neste período continuou
sua missão sacerdotal pregando retiros espirituais.
Com a morte repentina
de seu sobrinho, em 1980, Dom Antônio preferiu morar na Casa São Rafael,
pertencente ao Lar dos Velhinhos de Campinas. Durante os anos em que
lá morou, teve o acompanhamento da Irmã Maria Eugênia, da Congregação
das Filhas de São José. Em 1984, já com o Mal de Alzheimer, passava
mais tempo em Guarulhos, no Hospital Stella Maris, que ele próprio
ajudou a fundar quando Auxiliar de São Paulo. Foi neste Hospital que
Dom Antônio faleceu no dia 20 de abril de 1993, aos 86 anos. Seu sepultamento
se deu no dia 21 de abril de 1993, na cripta da Catedral Metropolitana
de Campinas, após a Missa Exequial presidida por Dom Gilberto Pereira
Lopes.
Dom
Luiz Antonio Guedes
Dom Luiz Antonio
Guedes nasceu em Mogi Mirim, SP, no dia 25 de novembro de 1945. Filho
do Sr. Sinésio Guedes e da Sra. Maria Carecho Guedes, ambos já falecidos,
é o primeiro entre sete irmãos.
Fez os estudos
primários e secundários na terra natal. Ingressou no Seminário da
Imaculada, da Arquidiocese de Campinas, no decorrer do segundo grau
escolar. Por incentivo do reitor do Seminário, concluiu na Escola
Técnica de Comércio de Valinhos, um curso técnico de contabilidade
que havia iniciado em Mogi Mirim. Sendo seminarista da Arquidiocese
de Campinas, fez os estudos filosóficos no Instituto Estigmatino de
Campinas e os de Teologia na Faculdade Nossa Senhora da Assunção,
na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Foi ordenado diácono
no dia 12 de março de 1972 na Matriz do Senhor Bom Jesus do Mirante,
em Mogi Mirim e recebeu o presbiterato na vigília de Pentecostes pela
imposição das mãos de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, Arcebispo
Metropolitano de Campinas, aos 20 de maio de 1972 na Matriz de São
José, na mesma cidade. Presidiu pela primeira vez a Eucaristia no
dia 21 de maio, na Matriz do Senhor Bom Jesus do Mirante, também em
Mogi Mirim.
Exerceu seu ministério
primeiramente como integrante da equipe de presbíteros encarregada
da Pastoral nas Vilas Planejadas de Campinas, durante nove anos. Foi
pároco da Paróquia Nossa Senhora da Candelária, em Indaiatuba; da
Paróquia Santa Luzia, em Campinas; de Sant'Ana, em Sumaré; administrador
paroquial de Nossa Senhora da Pompéia, em Campinas; de São Cristóvão,
em Valinhos e de Cristo Rei, em Campinas. Trabalhou na formação de
novos presbíteros como reitor do Seminário de Filosofia (agosto de
1976 a fevereiro de 1981) e de Teologia (fevereiro de 1984 a fevereiro
de 1990). Participou em várias comissões pastorais na Arquidiocese
e no Regional Sul 1 da CNBB. Foi membro, secretário e coordenador
do Conselho de Presbíteros e integrou o Colégio de Consultores da
Arquidiocese. Finalmente, foi pároco da Paróquia Santa Cruz, em Campinas,
durante oito anos, de onde saiu para assumir a Coordenação Geral da
Pastoral da Arquidiocese.
No dia 29 de janeiro
de 1997, foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Campinas e
simultaneamente foi eleito Bispo Titular de Maturba. Sua ordenação
ocorreu no dia 09 de março de 1997, na Catedral Metropolitana de Campinas,
por Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Metropolitano. Foram consagrantes:
Dom Ercílio Turco, Bispo Diocesano de Limeira, Dom Antônio Alberto
Guimarães Rezende (CSS), Bispo Diocesano de Caetité (BA), e outros
Bispos presentes.
Seu lema episcopal
é "Scio cui credidi" - Sei em quem acreditei (2Tm 1,12). Após sua
ordenação Episcopal, Dom Luiz continuou como Coordenador da Pastoral
da Arquidiocese de Campinas até 19 de julho de 1999.
Coordenou, também,
a Comissão Central do Projeto Rumo ao Novo Milênio, entre 1996 e 1999,
responsável por colocar em prática a preparação para o grande Jubileu
do Ano 2000. Dom Luiz tem se destacado pela sua humildade, simpatia
e presença junto às Paróquias, Comunidades, Organismos Arquidiocesanos
e junto ao povo. Sempre em união e comunhão ao Arcebispo, tem sido
de grande importância no trabalho de unidade pastoral, incentivo e
ânimo na concretização dos Projetos da Arquidiocese.
Com a escolha
da Arquidiocese de Campinas como sede do Congresso Eucarístico Nacional
em 2001, coordenou, junto ao Arcebispo, a preparação de evento marcante
para nossa Igreja.
Exerceu as atividades
de Bispo Auxiliar dessa Arquidiocese até 18 de dezembro de
2001, quando assumiu, como Bispo, a Diocese de Bauru (SP).
Dom
Gilberto Pereira Lopes
Arcebispo
Emérito da Arquidiocese de Campinas
Dom Gilberto Pereira
Lopes nasceu em Santa Luz, Bahia, no dia 14 de fevereiro de 1927,
filho de Salustino Lopes de Souza e Alice Pereira de Souza. Em 1937,
com o objetivo de melhor cuidar da educação dos filhos, o Sr. Salustino
se mudou com a família (a esposa, três meninos e três meninas) para
Petrolina, PE. Vivem, ainda hoje, as três irmãs e um irmão de Dom
Gilberto.
Dom Gilberto freqüentou
o Seminário Menor em Petrolina. Cursou Filosofia e Teologia em Olinda,
tendo como reitor o Padre Luiz do Amaral Mousinho, futuro Bispo e
primeiro Arcebispo de Ribeirão Preto. Foi ordenado presbítero na Catedral
de Petrolina no dia 04 de dezembro de 1949 por Dom Avelar Brandão
Vilela, então Bispo de Petrolina e depois Cardeal Arcebispo de Salvador
e Primaz do Brasil.
Em 1955, atendendo
a um convite de seu amigo e antigo Reitor, Dom Luiz Mousinho, transferiu-se
para Ribeirão Preto, onde foi Vigário Cooperador da Catedral, Reitor
do Seminário "Maria Imaculada" e Cura da Catedral. Incardinado na
Arquidiocese de Ribeirão Preto em 1958, foi constituído Cônego Teologal
do Cabido Metropolitano. Em 1961 e 1962, cursou Pedagogia no Instituto
Católico de Paris, apresentando o trabalho para licenciatura "Adolescência
e Seminário Menor".
No dia 03 de
novembro de 1966, foi nomeado 1º Bispo da Diocese de Ipameri, GO,
recebendo a Ordenação Episcopal a 18 de dezembro de 1966 das mãos
do então Núncio Apostólico do Brasil, Dom Sebastião Baggio. Foram
co-sagrantes Dom Fernando Gomes e Dom David Picão. Tomou posse da
Diocese em 02 de fevereiro de 1967. Seu lema foi: "Mysterium Christi
Praedicare" (Anunciar o Mistério de Cristo).
Em 1970, Dom Gilberto
foi nomeado para o Conselho Nacional do Movimento de Educação de Base
(MEB), da CNBB. Em 1974 assumiu a Coordenação da Linha VI - Pastoral
Social da CNBB e ainda em 1974, na Comissão Episcopal de Pastoral
da CNBB, foi eleito Secretário Geral do Regional Centro-Oeste da CNBB.
Em 1975, foi eleito membro da Comissão Episcopal da Ação Social da
CNBB e, no mesmo ano, membro da Comissão Episcopal de Ação Social
do CELAM.
O ano de 1976
surgiu, na Arquidiocese de Campinas, com um novo vigor. Dom Gilberto
Pereira Lopes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 24 de dezembro
de 1975, como Arcebispo Coadjutor, com direito à sucessão de Dom Antônio
Maria Alves de Siqueira, tomando posse no dia 07 de março de 1976,
em uma solene celebração na Catedral Metropolitana. O lema da Campanha
da Fraternidade de 1976 era "Caminhar Juntos". E Dom Gilberto veio
para Campinas exatamente com este espírito, assumindo, com o Arcebispo,
o clero e todo o povo, as prioridades pastorais definidas em Assembléia,
que eram: Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral Familiar, Pastoral
da Juventude e Formação de Agentes.
Meses após sua
posse, Dom Gilberto começou a receber em sua casa, que ficava na Rua
Emílio Ribas, 1082, no Cambuí, os Padres da Arquidiocese, com a finalidade
de prepararem juntos as homilias dos finais de semana. Era uma oportunidade
também, de um encontro informal de aprendizado e crescimento dos padres
entre si e com o Bispo, testemunhando a unidade do pastoreio.
Dom Gilberto revelou-se
um auxiliar zeloso e eficiente de Dom Antônio, acompanhando de perto
todas as reuniões da Cúria e dos Conselhos de Presbíteros, de Pastoral
e de Administração. Foi sua preocupação conhecer as Paróquias e Comunidades
da Arquidiocese, razão pela qual realizou inúmeras visitas Pastorais.
Em Julho de 1977,
Dom Gilberto, em companhia do Padre Francisco de Paula Cabral Vasconcellos,
visitou a Diocese Irmã de Macapá, para participar da Assembléia Diocesana
e do Curso para Dirigentes de Comunidades sobre Diversificação dos
Ministérios.
Fruto de um trabalho
intenso de Dom Antônio e de Dom Gilberto, no dia 25 de agosto de 1977,
foi constituída em Campinas a Comissão Arquidiocesana de Justiça e
Paz, buscando construir um ordem social fundada na Verdade, construída
na Justiça e animada pelo Amor. Essa Comissão teve papel imprescindível
durante o Regime Militar, quando a ditadura cerceava a liberdade do
nosso povo.
Na Assembléia
Extraordinária dos Bispos do Brasil, em abril de 1978, Dom Gilberto,
juntamente com Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Luciano Mendes de Almeida,
foi eleito Delegado do Brasil para a 3ª Conferência Geral do Episcopado
Latino-Americano, realizada em Puebla, no México.
Com a renúncia
de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, no dia 26 de janeiro de 1980,
a Sagrada Congregação dos Bispos enviou a Dom Gilberto, através da
Nunciatura, Decreto da Administração Apostólica, com assinaturas do
Prefeito da Congregação, Dom Sebastião Baggio e do Secretário, Dom
Lucas Moreira Neves, onde o Papa João Paulo II nomeava e constituía
Dom Gilberto Arcebispo Titular de Aurusuliana e Administrador Apostólico
"Sede Plena" da Arquidiocese de Campinas. Sua posse canônica se deu
na Catedral Metropolitana, no dia 07 de março de 1980, dia que se
comemorava três anos de sua posse como Coadjutor na Arquidiocese.
Na sua palavra
de posse, Dom Gilberto já fazia alusão ao que seria um sério problema
a ser enfrentado: a administração da Pontifícia Universidade Católica
de Campinas. E ele não se furtou ao desafio. Nomeou novo Vice-Presidente,
na pessoa do Dr. Darcy Paes de Pádua, novo Secretário, Monsenhor Euclides
Senna e novo leigo representante da Comunidade, Osmar Gonçalves, além
de novos representantes da Mantenedora e no CONCEP. As escolhas foram
questionadas por parte da comunidade acadêmica e por setores da imprensa.
Dom Gilberto, porém, recebeu apoio de todos os órgãos da Arquidiocese,
sentindo que seu desejo de governar colegiadamente começava a tornar-se
realidade. No dia 09 de junho de 1980, Dom Gilberto nomeou o Dr. Heitor
Regina como Magnífico Reitor, em razão das dificuldades surgidas para
escolha dos novos reitores a partir das listas sêxtuplas eleitas pelo
CONSUN.
Estava entrando
em vigor, então, o 3º Plano de Pastoral Orgânica, elaborado a partir
de uma Assembléia Geral da Arquidiocese realizada em 22 de setembro
de 1979, na Escola Salesiana São José. Nesta Assembléia foram definidas
as seguintes opções e prioridades para a caminhada pastoral da Arquidiocese:
Comunidades Eclesiais de Base; Mundo do Trabalho; Educação para a
Justiça e Socialização dos Bens da Igreja; Apoio aos Movimentos Populares.
Em 1981, na Assembléia
do Regional Sul 1, Dom Gilberto foi escolhido para ser o representante
do Regional na CNBB. Recebeu, ainda, nomeação do Papa João Paulo II
como Membro da Congregação para Educação Católica (Seminários e Institutos
de Estudos), através de carta da Secretaria de Estado do Vaticano,
datada em 05 de abril de 1989 pelo período de cinco anos. De 18 a
25 de abril de 1989, Dom Gilberto foi representante do Brasil no 3º
Congresso Internacional sobre Universidade Católica, realizado em
Roma, com 175 representantes de todo o mundo.
A preocupação
e zelo que sempre teve com seus irmãos no sacerdócio fez com que Dom
Gilberto criasse a Sociedade Beneficente João Paulo II, com finalidade
de gerir a "Casa do Padre", construída para acolher sacerdotes da
Arquidiocese já aposentados e idosos, como também padres necessitados
de moradia permanente ou temporária. A Casa do Padre foi inaugurada
oficialmente em 04 de outubro de 1991 e Dom Gilberto é o presidente.
Pastoralmente,
um dos momentos marcantes do pastoreio de Dom Gilberto aconteceria
a partir de 09 de outubro de 1988 quando, em Assembléia Geral, a Igreja
Arquidiocesana de Campinas assumiu a realização de uma Revisão Ampla
de toda a sua ação pastoral. A Abertura Oficial da Revisão Ampla se
deu no dia 23 de março de 1989, na Catedral Metropolitana, na celebração
da Quinta-feira Santa, onde Dom Gilberto apresentou a "Carta Pastoral
por Ocasião da Abertura Oficial da RA". Foi um processo de três anos
com participação intensa de toda Igreja de Campinas, que resultou
no Documento: "Uma Igreja respondendo aos Novos Desafios", um guia
para a ação pastoral da Arquidiocese. A Revisão Ampla apontou os caminhos
para elaboração do 4º e 5º Planos de Pastoral e foi instrumento da
ação pastoral da Arquidiocese ao longo desses anos.
Dom Gilberto teve
sempre o perfil de um administrador que trabalha de forma colegiada.
Logo após o encerramento da Revisão Ampla, a primeira medida foi a
criação da Coordenação Colegiada de Pastoral, com representação de
todos os segmentos da Igreja de Campinas. A CCP substituiu o Conselho
Arquidiocesano de Pastoral (CAP), assumindo papel de governo junto
com o Arcebispo. Junto com os Vigários Episcopais, reestruturou e
deu novo ânimo aos Conselhos Episcopal, de Presbíteros, Administrativo
e de Leigos, que também auxiliam Dom Gilberto no governo da Arquidiocese.
Atento à vontade
do povo, restabeleceu a Festa da Padroeira da Arquidiocese de Campinas,
Imaculada Conceição, no dia 08 de dezembro, com Missa Solene. Esta
data tem sido escolhida para as grandes festas da Igreja de Campinas.
O ano de 1993
foi um momento rico da Igreja de Campinas. Totalmente
dedicado à Missão, com uma grande Jornada Missionária, culminou numa
grande festa de encerramento no dia 21 de novembro, em Sumaré. Na
mesma linha, porém com maior intensidade, aconteceu em 1997 o Ano
Missionário, quando o povo católico foi para as ruas em um grande
mutirão de evangelização para anunciar Jesus Cristo e ser presença
amiga e acolhedora junto à população da Arquidiocese.
Estão em pleno
funcionamento os Pólos Missionários da Catedral e da Rodoviária. É
a presença de religiosos e leigos no atendimento às carências da população,
como conselhos, encaminhamentos, etc. Além disso, Dom Gilberto dá
total apoio à Casa de São Francisco e de Santa Clara, sob a administração
da Cáritas Arquidiocesana. O objetivo dessas Casas é o de acolher,
encaminhar e ser um centro de cultura para os moradores de rua que,
em Campinas, crescem a cada dia. Também colocou a Casa de Sant'Ana
a serviço das Pastorais Sociais da Arquidiocese para que desenvolvam
trabalhos educativos e promocionais para a população carente da Arquidiocese.
Dom Gilberto criou,
em 1993, a Assessoria de Comunicação; uma equipe para assessorá-lo
junto aos Meios de Comunicação, na reformulação do boletim "A Tribuna"
e no auxílio a toda a Arquidiocese no que diz respeito à Comunicação.
Está sendo constituída, no momento, a Equipe Arquidiocesana da Pastoral
da Comunicação, que muito auxiliará as Paróquias nesse sentido. Durante
alguns anos Dom Gilberto dirigiu sua Palavra de Pastor aos seus diocesanos
através da Rádio Cultura e desde 1993 mantém uma coluna semanal no
jornal "Diário do Povo". Todas as mensagens e artigos serão publicados
em livro por ocasião dos seus 50 anos de Sacerdócio.
Preocupado e atento
às vocações sacerdotais, criou a Comissão de Seminários. Ao mesmo
tempo, estabeleceu a separação dos estudantes de Filosofia e Teologia.
Para o Seminário de Filosofia, construiu um prédio no Jardim Santa
Genebra e para o Seminário de Teologia, aceitou uma casa cedida pela
Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Nova. Em 1998, terminou
a construção de um moderno prédio para o Seminário de Teologia no
Parque São Quirino, que foi inaugurado pelo Núncio Apostólico do Brasil,
Dom Álfio Rapisarda.
No ano de 1995,
o Papa João Paulo II, através da Carta Advento do Terceiro Milênio,
convocou toda a Igreja Católica para um grande mutirão em preparação
ao Jubileu dos 2000 anos do nascimento de Jesus. Esse projeto mundial,
Rumo ao Novo Milênio, foi encampado pela CNBB e assumido com todo
vigor pela Arquidiocese de Campinas. Ao longo de todos esses anos,
Dom Gilberto tem incentivado o aprofundamento e as atividades para
que, no ano 2000, celebremos com júbilo essa data marcante para a
humanidade. Nessas festividades têm sido dado ênfase às dívidas sociais
que fazem com que a maioria do povo seja privada dos direitos mínimos
para a própria sobrevivência. Não se pode comemorar dignamente um
projeto de Vida, quando tantos morrem pela injustiça humana.
Campinas sempre
foi destaque e modelo no cenário nacional. Por isso, e também pela
seriedade com que Dom Gilberto administra esta Arquidiocese, a cidade
foi escolhida na Assembléia da CNBB de 1998 para sediar o XIV Congresso
Eucarístico Nacional, que acontecerá de 14 a 21 de julho de 2001.
A Arquidiocese não tem poupado esforços no sentido de atender às expectativas
de toda a Igreja do Brasil, organizando um Congresso digno da grandiosidade
da Arquidiocese e seu povo.
Exerceu as atividades
de Arcebispo até 1o de agosto de 2004, quando transmitiu
o cargo para Dom Bruno Gamberini em celebração na Matriz
de Nossa Senhora Auxiliadora (Campinas-SP).
Dom
Bruno Gamberini
Arcebispo
da Arquidiocese de Campinas
Dom Bruno Gamberini
nasceu em Matão, SP, no dia 16 de julho de 1950, filho do Sr.
Armando Gamberini e da Sra. Tirsi Castellani Gamberini.
Completou o segundo
grau e a Filosofia no Seminário Diocesano de São Carlos
(1968-1970) e Teologia no Studium Theologicum, filiado à Universidade
Lateranense de Roma, em Curitiba, PR (1971-1974). Cursou, ainda, Canto
Coral e regência, na Pró-Música de Curitiba.
Foi ordenado Diácono
na Catedral de São Carlos em 02 de dezembro de 1973 e Presbítero
na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, no dia 11 de dezembro
de 1974, por Dom Constantino Amstalden, Bispo da Diocese de São
Carlos.
Como Padre foi
Coordenador da Comunidade e Professor de Filosofia do Seminário
Diocesano de São Carlos (1975-1977); Coordenador da Pastoral
Diocesana de São Carlos (1978); Pároco de Ribeirão
Bonito, SP (1979-1981); Juiz Auditor do Tribunal Eclesiástico
(1980-1982); Reitor do Seminário Teológico, em Campinas,
SP (1982); Vigário Paroquial da Catedral de São Carlos
(1983); Membro do Cabido dos Cônegos; Membro dos Conselhos Diocesanos
de Pastoral, dos Presbíteros e dos Consultores e Reitor do
Seminário Diocesano de Filosofia (1983-1995). Em 17 de maio
de 1995 foi nomeado Bispo da Diocese de Bragança Paulista,
sendo ordenado no dia 16 de julho de 1995, em São Carlos, SP.
Tomou posse da Diocese em 20 de agosto de 1995. Como Bispo foi Assessor
da Pastoral da Criança no Regional Sul 1 desde 1996; Bispo
representante do Sub-Regional Campinas na representativa do Sul 1;
Membro do Conselho Pastoral do Sul 1 (1999).
Em maio de 2004,
o Papa João Paulo II nomeou-o Arcebispo da Arquidiocese de
Campinas. Tomou posse da Arquidiocese de Campinas, em 1o de agosto
de 2004, em celebração na Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora.
Dom Bruno tem como tema episcopal "Nomen Domini Benedictum"
- Bendito o nome do Senhor.
Mensagem do
novo Arcebispo da Arquidiocese de Campinas, por ocasião da
sua nomeação
Irmãos
e irmãs,
amados e amadas em Jesus Cristo
"Bendito
seja o Nome do Senhor, agora e para sempre"
A Paz de Cristo a todos
Tão logo
o Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri,
comunicou-me no dia 25 de maio, que Sua Santidade o Papa João
Paulo II, que governa a Igreja em nome de Jesus, com força
do seu Espírito e com autoridade do Apóstolo Pedro,
chamou-me para o ministério de pastorear a Igreja de Jesus
Cristo que está em Campinas, imediatamente supliquei a misericórdia
do Pai sobre mim, pecador, e, invocando a proteção da
Imaculada Conceição, a Grande Mãe do Filho de
Deus e Padroeira desta Arquidiocese, rezei por todo o povo, o rebanho
amado de Jesus desta Igreja Particular. Permaneci estes dias em oração
confiante, na espera da publicação oficial no dia de
hoje.
De fato "aterroriza-me
o que sou para vós, consola-me o que sou convosco: para vós
sou o Bispo, convosco sou cristão". Aceitei esta incumbência
com temor e tremor, confiado apenas no poder de Deus; com boa vontade
sim, e ciente de minha limitação.
Saúdo, em primeiro lugar o patriarca desta bela e gloriosa
Igreja, Sua Excia. o Arcebispo Dom Gilberto Pereira Lopes. Até
hoje como Bispo Diocesano de Bragança Paulista, era seu Bispo
sufragâneo, agora sou seu sucessor pequeno e esperançoso
irmão. Reverencio os senhores bispos cujas dioceses compõem
nossa Província Eclesiástica: São Carlos, Piracicaba,
Limeira, Amparo e minha querida Bragança Paulista. Reafirmo
a comunhão com os Bispos do Sul 1 e à CNBB.
Abraço
meus padres e diáconos, deixem-me chamá-los assim, meus
seminaristas e, cheio de ternura e firmeza no amor, acolho os religiosos
e religiosas, pessoas consagradas e os cristãos leigos, fiéis
em Cristo. Com todos desejo fazer um corpo único na evangelização
e estar sempre a serviço para o crescimento do Povo de Deus,
com as CEBs, os Movimentos e Pastorais.
Saúdo a todas as excelentíssimas autoridades e habitantes
dos municípios que compõem nossa Arquidiocese: Campinas,
Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte Mor, Paulínia,
Valinhos e Vinhedo, com todas as suas Paróquias, bairros e
comunidades.
Aos irmãos cristãos de outras Igrejas e Denominações
saúdo com afeto e a oração de Jesus: "Pai,
que eles sejam um... para que o mundo creia que Tu me enviaste".
A todas as pessoas que professam a existência de Deus e a todos
os homens e mulheres de boa vontade cumprimento, na esperança,
de juntos construirmos um mundo justo, fraterno e solidário,
na verdade e na paz.
Uma saudação especial àqueles que se empenham
na política e na educação, aos grandes faróis
da ciência e do conhecimento, às Escolas Públicas
e particulares, com destaque à UNICAMP e à Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, que nasceu e vive no coração
da Igreja.
Aos profissionais
dos meios de comunicação social quero dar-lhes a certeza
de que contarão sempre com a Arquidiocese e comigo para o cultivo
da verdade e da bondade na informação certa e na formação
da reta consciência das pessoas e da sociedade.
Os pobres, doentes, desempregados, os que sofrem, os sem teto e os
que se labutam nos tantos desafios da grande cidade e do campo, os
amados de Deus por primeiro, os mais pequeninos, tenham a confiança
de que encontrarão no Arcebispo, Deus me ajude, a presença
do pai, o irmão que consola e o trabalhador na construção,
através das pastorais sociais, ombro a ombro, de nossa cidade
terrena sinal e esperança da Cidade Eterna e da mesa em que
o Pai reunirá todos os seus filhos e filhas e enxugará
as lágrimas de nossos olhos. Saúdo a todos os trabalhadores
e trabalhadoras em todas as profissões, ofícios e serviços.
Sou filho de um
operário da indústria metalúrgica e de uma dona
de casa. Brasileiro, católico, paulista de Matão. Venho
do Presbitério da Diocese de São Carlos e Bispo da Diocese
de Bragança Paulista. Estas são as minhas credenciais.
Sei que nada sou frente à grandiosidade da Metrópole
que é Campinas.sei que sou chamado por Deus, através
de João Paulo II, para ser o Arcebispo de Campinas. Sozinho
nada posso, no entanto, os fiéis da Igreja de Jesus Cristo,
com a força do Espírito e o poder do Pai, congregados
na Santa Igreja Católica e Apostólica, e, contando com
o auxílio materno de Maria Imaculada, lançamo-nos à
Missão que o Senhor nos propõe, a nós, seus discípulos:
"Ide pelo mundo inteiro, fazei discípulos meus todos os
povos. Eu estarei sempre convosco. Duc in altum... lançai as
vossas redes".
Peço a
todos sua oração.
A posse será na Catedral da Imaculada Conceição
de Campinas, no domingo, 1º de agosto, às 10h.
+ Bruno Gamberini
Arcebispo nomeado de Campinas
Campinas, 02 de junho de 2004.