- Dom Antônio Maria Alves de Siqueira

- Dom Luiz Antonio Guedes

- Dom Gilberto Pereira Lopes

- Dom Bruno Gamberini

 

Dom Antônio Maria Alves de Siqueira

Filho de Antônio Alves de Siqueira e Luiza Alves de Siqueira, Dom Antônio Maria Alves de Siqueira nasceu no subdistrito de Santa Cecília, na cidade de São Paulo, em 14 de novembro de 1906. Matriculou-se em 1918 no Seminário Menor de Pirapora, recebendo o sacerdócio das mãos de Dom Duarte Leopoldo, em 15 de agosto de 1930. Durante 17 anos lecionou no Seminário Central do Ipiranga, do qual foi diretor espiritual, vice-reitor e reitor. Dom José Gaspar o nomeou membro do Cabido Metropolitano e confiou-lhe a parte musical e artística do Congresso Eucarístico de 1942.

Em 20 de julho de 1947, Dom Antônio foi sagrado Bispo e no dia 19 de julho de 1957 foi designado Arcebispo titular de Calcídia, na Síria, e Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Seu lema episcopal "In fide et lenitate" - "Na Fé e na Mansidão" - foi expressão de toda a sua vida. Destacou-se como orador especializado na pregação de retiros e escritor de várias obras: "Gólgotha" (1946); "Filosofia da Educação" (1948); "Nossa Senhora Aparecida" (1956); "Consolando os que sofrem" (1959); "Itinerário" (1959); "A serviço da Rainha" (1961); "Livro de Maria" (1963) e "Crux Fidelis" (1980). Teve, ainda, uma coluna diária no Correio Paulistano, em 1957.

Em 20 de julho de 1957 foi promovido a Arcebispo Coadjutor de São Paulo e, em 1966, a Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão da Arquidiocese de Campinas. Quando nomeado para a Arquidiocese de Campinas, Dom Antônio exerceu o cargo de Vigário Episcopal de Jundiaí, com a incumbência de preparar a cidade para sede de uma nova Diocese.

Seguindo as orientações do Concílio Vaticano II e a abertura pastoral iniciada por Dom Paulo, Dom Antonio deu grande apoio à Cúria, ao Conselho de Presbíteros e ao Secretariado Pastoral, iniciando uma nova fase na vida da Igreja, que passou a ter maior participação em seus próprios organismos e governo colegiado. Assim, valorizou e ampliou os poderes do Coordenador de Pastoral e dos Vigários Regionais, incentivando as coordenações por Vigararia. Valorizou também o trabalho dos leigos, formando o Conselho Arquidiocesano de Pastoral, fomentando a formação dos Conselhos de Pastoral Paroquial e organizando o Ministério dos Ministros Extraordinários da Eucaristia. Iniciou a Revisão Pré-Sinodal, através de uma ampla pesquisa, levando a uma consciência maior de planejamento a partir dos anseios da base. Apoiou também a organização de Cursos de Teologia para Leigos e a formação do Instituto de Pastoral. Com a renúncia de Dom Paulo de Tarso Campos, assumiu a Arquidiocese de Campinas em 19 de setembro de 1968.

Na Arquidiocese, Dom Antônio enfrentou o problema da crise das vocações que atingia todo o país, ordenando apenas 16 presbíteros. Acompanhou as reflexões da CNBB em sua 10ª Assembléia Geral, trazendo como fonte de estudos o "Documento dos Presbíteros".

Teve interesse especial pela comunicação, apoiando a formação da Equipe de Opinião Pública, a criação do Boletim "Encontro", em 1968, a reformulação de "A Tribuna", em 1969, e a divulgação do Boletim "Arquidiocese Informa" em 1976. Aprovou e incentivou os Cursos de Treinamento de Liderança Cristã para jovens, iniciado pelo Padre Haroldo Rahm. Nas modificações realizadas no prédio do Seminário (Prédio da Engenharia da PUC-Campinas, no Swift), reservou uma parte para o Movimento "Cursilhos de Cristandade", hoje "Casa de Encontros da Arquidiocese". Trabalhou para a conclusão do Templo Votivo, realizando o grande sonho de Dom Paulo de Tarso, que pôde inaugurá-lo antes de sua morte.

Em razão da orientação pastoral, não foram criadas muitas paróquias na Arquidiocese. As Assembléias da Igreja de Campinas ofereceram elementos indispensáveis para um Planejamento Pastoral, a partir das carências e da escolha de prioridades. Na Assembléia de 1973, Dom Antônio Siqueira e Dom José Maritano, Bispo de Macapá, comprometeram-se a caminhar juntos numa linha de colaboração e ajuda mútua dentro do Projeto de Igrejas Irmãs, já em vigor em várias dioceses do Brasil. Aprovou a criação da Paróquia e de uma Pastoral Universitária, a Pastoral das Vilas Planejadas, os Centros Comunitários da periferia, a criação da Comissão de Justiça e Paz e do Conselho Arquidiocesano de Administração. Aboliu os títulos honoríficos de Cônego e Monsenhor e aprovou o Diretório sobre o Ministério Sacerdotal com as exigências e condições para integrar-se ou incardinar-se ao Presbitério de Campinas.

No dia 07 de março de 1976, Dom Antônio deu posse a Dom Gilberto Pereira Lopes, que fora nomeado Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão de Campinas em 24 de dezembro de 1975. Juntamente com Dom Gilberto e os demais Bispos da Província, Dom Antônio criou o Instituto Teológico Paulo VI, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e o Seminário Provincial de Teologia para estudantes de toda a Província Eclesiástica.

No mês de agosto de 1978 confiou todo o trabalho pastoral e administrativo a Dom Gilberto, Arcebispo Coadjutor, reservando-se apenas a uma presença mais assídua na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e a assistência amiga aos presbíteros, conforme aprovação do Cardeal Sebastião Baggio, Prefeito da Congregação dos Bispos. Em novembro do mesmo ano, Dom Antônio deixou o Palácio Episcopal para morar em uma residência mais simples, no Bairro Nova Campinas, com sua irmã e familiares. Neste período continuou sua missão sacerdotal pregando retiros espirituais.

Com a morte repentina de seu sobrinho, em 1980, Dom Antônio preferiu morar na Casa São Rafael, pertencente ao Lar dos Velhinhos de Campinas. Durante os anos em que lá morou, teve o acompanhamento da Irmã Maria Eugênia, da Congregação das Filhas de São José. Em 1984, já com o Mal de Alzheimer, passava mais tempo em Guarulhos, no Hospital Stella Maris, que ele próprio ajudou a fundar quando Auxiliar de São Paulo. Foi neste Hospital que Dom Antônio faleceu no dia 20 de abril de 1993, aos 86 anos. Seu sepultamento se deu no dia 21 de abril de 1993, na cripta da Catedral Metropolitana de Campinas, após a Missa Exequial presidida por Dom Gilberto Pereira Lopes.

 

 

Dom Luiz Antonio Guedes

Dom Luiz Antonio Guedes nasceu em Mogi Mirim, SP, no dia 25 de novembro de 1945. Filho do Sr. Sinésio Guedes e da Sra. Maria Carecho Guedes, ambos já falecidos, é o primeiro entre sete irmãos.

Fez os estudos primários e secundários na terra natal. Ingressou no Seminário da Imaculada, da Arquidiocese de Campinas, no decorrer do segundo grau escolar. Por incentivo do reitor do Seminário, concluiu na Escola Técnica de Comércio de Valinhos, um curso técnico de contabilidade que havia iniciado em Mogi Mirim. Sendo seminarista da Arquidiocese de Campinas, fez os estudos filosóficos no Instituto Estigmatino de Campinas e os de Teologia na Faculdade Nossa Senhora da Assunção, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Foi ordenado diácono no dia 12 de março de 1972 na Matriz do Senhor Bom Jesus do Mirante, em Mogi Mirim e recebeu o presbiterato na vigília de Pentecostes pela imposição das mãos de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, Arcebispo Metropolitano de Campinas, aos 20 de maio de 1972 na Matriz de São José, na mesma cidade. Presidiu pela primeira vez a Eucaristia no dia 21 de maio, na Matriz do Senhor Bom Jesus do Mirante, também em Mogi Mirim.

Exerceu seu ministério primeiramente como integrante da equipe de presbíteros encarregada da Pastoral nas Vilas Planejadas de Campinas, durante nove anos. Foi pároco da Paróquia Nossa Senhora da Candelária, em Indaiatuba; da Paróquia Santa Luzia, em Campinas; de Sant'Ana, em Sumaré; administrador paroquial de Nossa Senhora da Pompéia, em Campinas; de São Cristóvão, em Valinhos e de Cristo Rei, em Campinas. Trabalhou na formação de novos presbíteros como reitor do Seminário de Filosofia (agosto de 1976 a fevereiro de 1981) e de Teologia (fevereiro de 1984 a fevereiro de 1990). Participou em várias comissões pastorais na Arquidiocese e no Regional Sul 1 da CNBB. Foi membro, secretário e coordenador do Conselho de Presbíteros e integrou o Colégio de Consultores da Arquidiocese. Finalmente, foi pároco da Paróquia Santa Cruz, em Campinas, durante oito anos, de onde saiu para assumir a Coordenação Geral da Pastoral da Arquidiocese.

No dia 29 de janeiro de 1997, foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Campinas e simultaneamente foi eleito Bispo Titular de Maturba. Sua ordenação ocorreu no dia 09 de março de 1997, na Catedral Metropolitana de Campinas, por Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Metropolitano. Foram consagrantes: Dom Ercílio Turco, Bispo Diocesano de Limeira, Dom Antônio Alberto Guimarães Rezende (CSS), Bispo Diocesano de Caetité (BA), e outros Bispos presentes.

Seu lema episcopal é "Scio cui credidi" - Sei em quem acreditei (2Tm 1,12). Após sua ordenação Episcopal, Dom Luiz continuou como Coordenador da Pastoral da Arquidiocese de Campinas até 19 de julho de 1999.

Coordenou, também, a Comissão Central do Projeto Rumo ao Novo Milênio, entre 1996 e 1999, responsável por colocar em prática a preparação para o grande Jubileu do Ano 2000. Dom Luiz tem se destacado pela sua humildade, simpatia e presença junto às Paróquias, Comunidades, Organismos Arquidiocesanos e junto ao povo. Sempre em união e comunhão ao Arcebispo, tem sido de grande importância no trabalho de unidade pastoral, incentivo e ânimo na concretização dos Projetos da Arquidiocese.

Com a escolha da Arquidiocese de Campinas como sede do Congresso Eucarístico Nacional em 2001, coordenou, junto ao Arcebispo, a preparação de evento marcante para nossa Igreja.

Exerceu as atividades de Bispo Auxiliar dessa Arquidiocese até 18 de dezembro de 2001, quando assumiu, como Bispo, a Diocese de Bauru (SP).

 

 

Dom Gilberto Pereira Lopes
Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Campinas

Dom Gilberto Pereira Lopes nasceu em Santa Luz, Bahia, no dia 14 de fevereiro de 1927, filho de Salustino Lopes de Souza e Alice Pereira de Souza. Em 1937, com o objetivo de melhor cuidar da educação dos filhos, o Sr. Salustino se mudou com a família (a esposa, três meninos e três meninas) para Petrolina, PE. Vivem, ainda hoje, as três irmãs e um irmão de Dom Gilberto.

Dom Gilberto freqüentou o Seminário Menor em Petrolina. Cursou Filosofia e Teologia em Olinda, tendo como reitor o Padre Luiz do Amaral Mousinho, futuro Bispo e primeiro Arcebispo de Ribeirão Preto. Foi ordenado presbítero na Catedral de Petrolina no dia 04 de dezembro de 1949 por Dom Avelar Brandão Vilela, então Bispo de Petrolina e depois Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

Em 1955, atendendo a um convite de seu amigo e antigo Reitor, Dom Luiz Mousinho, transferiu-se para Ribeirão Preto, onde foi Vigário Cooperador da Catedral, Reitor do Seminário "Maria Imaculada" e Cura da Catedral. Incardinado na Arquidiocese de Ribeirão Preto em 1958, foi constituído Cônego Teologal do Cabido Metropolitano. Em 1961 e 1962, cursou Pedagogia no Instituto Católico de Paris, apresentando o trabalho para licenciatura "Adolescência e Seminário Menor".

No dia 03 de novembro de 1966, foi nomeado 1º Bispo da Diocese de Ipameri, GO, recebendo a Ordenação Episcopal a 18 de dezembro de 1966 das mãos do então Núncio Apostólico do Brasil, Dom Sebastião Baggio. Foram co-sagrantes Dom Fernando Gomes e Dom David Picão. Tomou posse da Diocese em 02 de fevereiro de 1967. Seu lema foi: "Mysterium Christi Praedicare" (Anunciar o Mistério de Cristo).

Em 1970, Dom Gilberto foi nomeado para o Conselho Nacional do Movimento de Educação de Base (MEB), da CNBB. Em 1974 assumiu a Coordenação da Linha VI - Pastoral Social da CNBB e ainda em 1974, na Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB, foi eleito Secretário Geral do Regional Centro-Oeste da CNBB. Em 1975, foi eleito membro da Comissão Episcopal da Ação Social da CNBB e, no mesmo ano, membro da Comissão Episcopal de Ação Social do CELAM.

O ano de 1976 surgiu, na Arquidiocese de Campinas, com um novo vigor. Dom Gilberto Pereira Lopes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 24 de dezembro de 1975, como Arcebispo Coadjutor, com direito à sucessão de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, tomando posse no dia 07 de março de 1976, em uma solene celebração na Catedral Metropolitana. O lema da Campanha da Fraternidade de 1976 era "Caminhar Juntos". E Dom Gilberto veio para Campinas exatamente com este espírito, assumindo, com o Arcebispo, o clero e todo o povo, as prioridades pastorais definidas em Assembléia, que eram: Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral Familiar, Pastoral da Juventude e Formação de Agentes.

Meses após sua posse, Dom Gilberto começou a receber em sua casa, que ficava na Rua Emílio Ribas, 1082, no Cambuí, os Padres da Arquidiocese, com a finalidade de prepararem juntos as homilias dos finais de semana. Era uma oportunidade também, de um encontro informal de aprendizado e crescimento dos padres entre si e com o Bispo, testemunhando a unidade do pastoreio.

Dom Gilberto revelou-se um auxiliar zeloso e eficiente de Dom Antônio, acompanhando de perto todas as reuniões da Cúria e dos Conselhos de Presbíteros, de Pastoral e de Administração. Foi sua preocupação conhecer as Paróquias e Comunidades da Arquidiocese, razão pela qual realizou inúmeras visitas Pastorais.

Em Julho de 1977, Dom Gilberto, em companhia do Padre Francisco de Paula Cabral Vasconcellos, visitou a Diocese Irmã de Macapá, para participar da Assembléia Diocesana e do Curso para Dirigentes de Comunidades sobre Diversificação dos Ministérios.

Fruto de um trabalho intenso de Dom Antônio e de Dom Gilberto, no dia 25 de agosto de 1977, foi constituída em Campinas a Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz, buscando construir um ordem social fundada na Verdade, construída na Justiça e animada pelo Amor. Essa Comissão teve papel imprescindível durante o Regime Militar, quando a ditadura cerceava a liberdade do nosso povo.

Na Assembléia Extraordinária dos Bispos do Brasil, em abril de 1978, Dom Gilberto, juntamente com Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Luciano Mendes de Almeida, foi eleito Delegado do Brasil para a 3ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Puebla, no México.

Com a renúncia de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, no dia 26 de janeiro de 1980, a Sagrada Congregação dos Bispos enviou a Dom Gilberto, através da Nunciatura, Decreto da Administração Apostólica, com assinaturas do Prefeito da Congregação, Dom Sebastião Baggio e do Secretário, Dom Lucas Moreira Neves, onde o Papa João Paulo II nomeava e constituía Dom Gilberto Arcebispo Titular de Aurusuliana e Administrador Apostólico "Sede Plena" da Arquidiocese de Campinas. Sua posse canônica se deu na Catedral Metropolitana, no dia 07 de março de 1980, dia que se comemorava três anos de sua posse como Coadjutor na Arquidiocese.

Na sua palavra de posse, Dom Gilberto já fazia alusão ao que seria um sério problema a ser enfrentado: a administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. E ele não se furtou ao desafio. Nomeou novo Vice-Presidente, na pessoa do Dr. Darcy Paes de Pádua, novo Secretário, Monsenhor Euclides Senna e novo leigo representante da Comunidade, Osmar Gonçalves, além de novos representantes da Mantenedora e no CONCEP. As escolhas foram questionadas por parte da comunidade acadêmica e por setores da imprensa. Dom Gilberto, porém, recebeu apoio de todos os órgãos da Arquidiocese, sentindo que seu desejo de governar colegiadamente começava a tornar-se realidade. No dia 09 de junho de 1980, Dom Gilberto nomeou o Dr. Heitor Regina como Magnífico Reitor, em razão das dificuldades surgidas para escolha dos novos reitores a partir das listas sêxtuplas eleitas pelo CONSUN.

Estava entrando em vigor, então, o 3º Plano de Pastoral Orgânica, elaborado a partir de uma Assembléia Geral da Arquidiocese realizada em 22 de setembro de 1979, na Escola Salesiana São José. Nesta Assembléia foram definidas as seguintes opções e prioridades para a caminhada pastoral da Arquidiocese: Comunidades Eclesiais de Base; Mundo do Trabalho; Educação para a Justiça e Socialização dos Bens da Igreja; Apoio aos Movimentos Populares.

Em 1981, na Assembléia do Regional Sul 1, Dom Gilberto foi escolhido para ser o representante do Regional na CNBB. Recebeu, ainda, nomeação do Papa João Paulo II como Membro da Congregação para Educação Católica (Seminários e Institutos de Estudos), através de carta da Secretaria de Estado do Vaticano, datada em 05 de abril de 1989 pelo período de cinco anos. De 18 a 25 de abril de 1989, Dom Gilberto foi representante do Brasil no 3º Congresso Internacional sobre Universidade Católica, realizado em Roma, com 175 representantes de todo o mundo.

A preocupação e zelo que sempre teve com seus irmãos no sacerdócio fez com que Dom Gilberto criasse a Sociedade Beneficente João Paulo II, com finalidade de gerir a "Casa do Padre", construída para acolher sacerdotes da Arquidiocese já aposentados e idosos, como também padres necessitados de moradia permanente ou temporária. A Casa do Padre foi inaugurada oficialmente em 04 de outubro de 1991 e Dom Gilberto é o presidente.

Pastoralmente, um dos momentos marcantes do pastoreio de Dom Gilberto aconteceria a partir de 09 de outubro de 1988 quando, em Assembléia Geral, a Igreja Arquidiocesana de Campinas assumiu a realização de uma Revisão Ampla de toda a sua ação pastoral. A Abertura Oficial da Revisão Ampla se deu no dia 23 de março de 1989, na Catedral Metropolitana, na celebração da Quinta-feira Santa, onde Dom Gilberto apresentou a "Carta Pastoral por Ocasião da Abertura Oficial da RA". Foi um processo de três anos com participação intensa de toda Igreja de Campinas, que resultou no Documento: "Uma Igreja respondendo aos Novos Desafios", um guia para a ação pastoral da Arquidiocese. A Revisão Ampla apontou os caminhos para elaboração do 4º e 5º Planos de Pastoral e foi instrumento da ação pastoral da Arquidiocese ao longo desses anos.

Dom Gilberto teve sempre o perfil de um administrador que trabalha de forma colegiada. Logo após o encerramento da Revisão Ampla, a primeira medida foi a criação da Coordenação Colegiada de Pastoral, com representação de todos os segmentos da Igreja de Campinas. A CCP substituiu o Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP), assumindo papel de governo junto com o Arcebispo. Junto com os Vigários Episcopais, reestruturou e deu novo ânimo aos Conselhos Episcopal, de Presbíteros, Administrativo e de Leigos, que também auxiliam Dom Gilberto no governo da Arquidiocese.

Atento à vontade do povo, restabeleceu a Festa da Padroeira da Arquidiocese de Campinas, Imaculada Conceição, no dia 08 de dezembro, com Missa Solene. Esta data tem sido escolhida para as grandes festas da Igreja de Campinas.

O ano de 1993 foi um momento rico da Igreja de Campinas. Totalmente dedicado à Missão, com uma grande Jornada Missionária, culminou numa grande festa de encerramento no dia 21 de novembro, em Sumaré. Na mesma linha, porém com maior intensidade, aconteceu em 1997 o Ano Missionário, quando o povo católico foi para as ruas em um grande mutirão de evangelização para anunciar Jesus Cristo e ser presença amiga e acolhedora junto à população da Arquidiocese.

Estão em pleno funcionamento os Pólos Missionários da Catedral e da Rodoviária. É a presença de religiosos e leigos no atendimento às carências da população, como conselhos, encaminhamentos, etc. Além disso, Dom Gilberto dá total apoio à Casa de São Francisco e de Santa Clara, sob a administração da Cáritas Arquidiocesana. O objetivo dessas Casas é o de acolher, encaminhar e ser um centro de cultura para os moradores de rua que, em Campinas, crescem a cada dia. Também colocou a Casa de Sant'Ana a serviço das Pastorais Sociais da Arquidiocese para que desenvolvam trabalhos educativos e promocionais para a população carente da Arquidiocese.

Dom Gilberto criou, em 1993, a Assessoria de Comunicação; uma equipe para assessorá-lo junto aos Meios de Comunicação, na reformulação do boletim "A Tribuna" e no auxílio a toda a Arquidiocese no que diz respeito à Comunicação. Está sendo constituída, no momento, a Equipe Arquidiocesana da Pastoral da Comunicação, que muito auxiliará as Paróquias nesse sentido. Durante alguns anos Dom Gilberto dirigiu sua Palavra de Pastor aos seus diocesanos através da Rádio Cultura e desde 1993 mantém uma coluna semanal no jornal "Diário do Povo". Todas as mensagens e artigos serão publicados em livro por ocasião dos seus 50 anos de Sacerdócio.

Preocupado e atento às vocações sacerdotais, criou a Comissão de Seminários. Ao mesmo tempo, estabeleceu a separação dos estudantes de Filosofia e Teologia. Para o Seminário de Filosofia, construiu um prédio no Jardim Santa Genebra e para o Seminário de Teologia, aceitou uma casa cedida pela Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Nova. Em 1998, terminou a construção de um moderno prédio para o Seminário de Teologia no Parque São Quirino, que foi inaugurado pelo Núncio Apostólico do Brasil, Dom Álfio Rapisarda.

No ano de 1995, o Papa João Paulo II, através da Carta Advento do Terceiro Milênio, convocou toda a Igreja Católica para um grande mutirão em preparação ao Jubileu dos 2000 anos do nascimento de Jesus. Esse projeto mundial, Rumo ao Novo Milênio, foi encampado pela CNBB e assumido com todo vigor pela Arquidiocese de Campinas. Ao longo de todos esses anos, Dom Gilberto tem incentivado o aprofundamento e as atividades para que, no ano 2000, celebremos com júbilo essa data marcante para a humanidade. Nessas festividades têm sido dado ênfase às dívidas sociais que fazem com que a maioria do povo seja privada dos direitos mínimos para a própria sobrevivência. Não se pode comemorar dignamente um projeto de Vida, quando tantos morrem pela injustiça humana.

Campinas sempre foi destaque e modelo no cenário nacional. Por isso, e também pela seriedade com que Dom Gilberto administra esta Arquidiocese, a cidade foi escolhida na Assembléia da CNBB de 1998 para sediar o XIV Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá de 14 a 21 de julho de 2001. A Arquidiocese não tem poupado esforços no sentido de atender às expectativas de toda a Igreja do Brasil, organizando um Congresso digno da grandiosidade da Arquidiocese e seu povo.

Exerceu as atividades de Arcebispo até 1o de agosto de 2004, quando transmitiu o cargo para Dom Bruno Gamberini em celebração na Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora (Campinas-SP).

 

 

Dom Bruno Gamberini
Arcebispo da Arquidiocese de Campinas

Dom Bruno Gamberini nasceu em Matão, SP, no dia 16 de julho de 1950, filho do Sr. Armando Gamberini e da Sra. Tirsi Castellani Gamberini.

Completou o segundo grau e a Filosofia no Seminário Diocesano de São Carlos (1968-1970) e Teologia no Studium Theologicum, filiado à Universidade Lateranense de Roma, em Curitiba, PR (1971-1974). Cursou, ainda, Canto Coral e regência, na Pró-Música de Curitiba.

Foi ordenado Diácono na Catedral de São Carlos em 02 de dezembro de 1973 e Presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, no dia 11 de dezembro de 1974, por Dom Constantino Amstalden, Bispo da Diocese de São Carlos.

Como Padre foi Coordenador da Comunidade e Professor de Filosofia do Seminário Diocesano de São Carlos (1975-1977); Coordenador da Pastoral Diocesana de São Carlos (1978); Pároco de Ribeirão Bonito, SP (1979-1981); Juiz Auditor do Tribunal Eclesiástico (1980-1982); Reitor do Seminário Teológico, em Campinas, SP (1982); Vigário Paroquial da Catedral de São Carlos (1983); Membro do Cabido dos Cônegos; Membro dos Conselhos Diocesanos de Pastoral, dos Presbíteros e dos Consultores e Reitor do Seminário Diocesano de Filosofia (1983-1995). Em 17 de maio de 1995 foi nomeado Bispo da Diocese de Bragança Paulista, sendo ordenado no dia 16 de julho de 1995, em São Carlos, SP. Tomou posse da Diocese em 20 de agosto de 1995. Como Bispo foi Assessor da Pastoral da Criança no Regional Sul 1 desde 1996; Bispo representante do Sub-Regional Campinas na representativa do Sul 1; Membro do Conselho Pastoral do Sul 1 (1999).

Em maio de 2004, o Papa João Paulo II nomeou-o Arcebispo da Arquidiocese de Campinas. Tomou posse da Arquidiocese de Campinas, em 1o de agosto de 2004, em celebração na Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Dom Bruno tem como tema episcopal "Nomen Domini Benedictum" - Bendito o nome do Senhor.

 

Mensagem do novo Arcebispo da Arquidiocese de Campinas, por ocasião da sua nomeação

Irmãos e irmãs,
amados e amadas em Jesus Cristo

"Bendito seja o Nome do Senhor, agora e para sempre"
A Paz de Cristo a todos

Tão logo o Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, comunicou-me no dia 25 de maio, que Sua Santidade o Papa João Paulo II, que governa a Igreja em nome de Jesus, com força do seu Espírito e com autoridade do Apóstolo Pedro, chamou-me para o ministério de pastorear a Igreja de Jesus Cristo que está em Campinas, imediatamente supliquei a misericórdia do Pai sobre mim, pecador, e, invocando a proteção da Imaculada Conceição, a Grande Mãe do Filho de Deus e Padroeira desta Arquidiocese, rezei por todo o povo, o rebanho amado de Jesus desta Igreja Particular. Permaneci estes dias em oração confiante, na espera da publicação oficial no dia de hoje.

De fato "aterroriza-me o que sou para vós, consola-me o que sou convosco: para vós sou o Bispo, convosco sou cristão". Aceitei esta incumbência com temor e tremor, confiado apenas no poder de Deus; com boa vontade sim, e ciente de minha limitação.
Saúdo, em primeiro lugar o patriarca desta bela e gloriosa Igreja, Sua Excia. o Arcebispo Dom Gilberto Pereira Lopes. Até hoje como Bispo Diocesano de Bragança Paulista, era seu Bispo sufragâneo, agora sou seu sucessor pequeno e esperançoso irmão. Reverencio os senhores bispos cujas dioceses compõem nossa Província Eclesiástica: São Carlos, Piracicaba, Limeira, Amparo e minha querida Bragança Paulista. Reafirmo a comunhão com os Bispos do Sul 1 e à CNBB.

Abraço meus padres e diáconos, deixem-me chamá-los assim, meus seminaristas e, cheio de ternura e firmeza no amor, acolho os religiosos e religiosas, pessoas consagradas e os cristãos leigos, fiéis em Cristo. Com todos desejo fazer um corpo único na evangelização e estar sempre a serviço para o crescimento do Povo de Deus, com as CEBs, os Movimentos e Pastorais.
Saúdo a todas as excelentíssimas autoridades e habitantes dos municípios que compõem nossa Arquidiocese: Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte Mor, Paulínia, Valinhos e Vinhedo, com todas as suas Paróquias, bairros e comunidades.
Aos irmãos cristãos de outras Igrejas e Denominações saúdo com afeto e a oração de Jesus: "Pai, que eles sejam um... para que o mundo creia que Tu me enviaste". A todas as pessoas que professam a existência de Deus e a todos os homens e mulheres de boa vontade cumprimento, na esperança, de juntos construirmos um mundo justo, fraterno e solidário, na verdade e na paz.
Uma saudação especial àqueles que se empenham na política e na educação, aos grandes faróis da ciência e do conhecimento, às Escolas Públicas e particulares, com destaque à UNICAMP e à Pontifícia Universidade Católica de Campinas, que nasceu e vive no coração da Igreja.

Aos profissionais dos meios de comunicação social quero dar-lhes a certeza de que contarão sempre com a Arquidiocese e comigo para o cultivo da verdade e da bondade na informação certa e na formação da reta consciência das pessoas e da sociedade.
Os pobres, doentes, desempregados, os que sofrem, os sem teto e os que se labutam nos tantos desafios da grande cidade e do campo, os amados de Deus por primeiro, os mais pequeninos, tenham a confiança de que encontrarão no Arcebispo, Deus me ajude, a presença do pai, o irmão que consola e o trabalhador na construção, através das pastorais sociais, ombro a ombro, de nossa cidade terrena sinal e esperança da Cidade Eterna e da mesa em que o Pai reunirá todos os seus filhos e filhas e enxugará as lágrimas de nossos olhos. Saúdo a todos os trabalhadores e trabalhadoras em todas as profissões, ofícios e serviços.

Sou filho de um operário da indústria metalúrgica e de uma dona de casa. Brasileiro, católico, paulista de Matão. Venho do Presbitério da Diocese de São Carlos e Bispo da Diocese de Bragança Paulista. Estas são as minhas credenciais. Sei que nada sou frente à grandiosidade da Metrópole que é Campinas.sei que sou chamado por Deus, através de João Paulo II, para ser o Arcebispo de Campinas. Sozinho nada posso, no entanto, os fiéis da Igreja de Jesus Cristo, com a força do Espírito e o poder do Pai, congregados na Santa Igreja Católica e Apostólica, e, contando com o auxílio materno de Maria Imaculada, lançamo-nos à Missão que o Senhor nos propõe, a nós, seus discípulos: "Ide pelo mundo inteiro, fazei discípulos meus todos os povos. Eu estarei sempre convosco. Duc in altum... lançai as vossas redes".

Peço a todos sua oração.
A posse será na Catedral da Imaculada Conceição de Campinas, no domingo, 1º de agosto, às 10h.

+ Bruno Gamberini
Arcebispo nomeado de Campinas
Campinas, 02 de junho de 2004.