Revendo a vida

Revendo a vida

Somos uma espécie que claudica entre todos os acertos e erros. E de repente, surge um Galileu que não frequentou escolas e diz, para nossa surpresa, que veio para nos dar a vida eterna. E, em vez de nos cobrar grandes atitudes para conseguí-la, de determinar com severidade que não cometamos qualquer tipo de erro ou imoralidade, Ele não exige nada de nós, apenas de si mesmo. Morre para que não morramos, sofre para que não soframos. Derrama o próprio sangue para nos justificar perante o autor da existência. Só não se perturba com as idéias de Cristo quem é incapaz de analisá-las.

Jesus é, sem dúvida, uma pessoa singular na história. Qualquer um que se der ao trabalho de pensar minimamente na dimensão dos seus gestos ficará assombrado. Freud foi um judeu ateu, mas se tivesse investigado a história de Jesus ficaria intrigado e encantado com sua proposta. Se todos os pais da psicologia que compreenderam que a história registrada no “inconsciente da memória” tem um peso enorme sobre as reações do presente tivessem tomado pleno conhecimento da proposta do mestre de Nazaré, perceberiam que ela é arrebatadora.

O mais admirável é que Jesus não queria apenas aliviar o peso do passado sobre o presente. Queria também introduzir a eternidade dentro do ser humano e fazê-lo possuir uma vida irrigada com um prazer pleno e com as funções mais importantes da inteligência.

A história de sangue e violação dos direitos humanos depõe contra a nossa espécie. Nas situações de conflito usam,os mais o instinto do que a arte de pensar. Nessas horas, a violência sempre foi uma ferramenta maus utilizada do que o diálogo.

Os homens podiam ser violentos com Cristo, mas ele era dócil com todos. Quando foram prendê-lo, ele se adiantou e perguntou quam procurava. Não admitia a violência física nem, a emocional: Qualquer um que se encolerizar contra seu irmão terá de responder no tribunal” (Mt. 5,22). Os que andavam com Ele tinham de aprender não apenas a andar em paz dentro de si mesmos, mas a se tornarem pacificadores: “Bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt. 5,5).

(Texto do livro “O Mestre da Sensibilidade”
do Dr. Augusto Cury, psiquiatra, pesquisador de psicologia,
escritor e conferencista – Ed. Sextante, 2006
)