Homilia de domingo

Neste ano estamos estudando o Evangelho de São Marcos, com leituras diárias. Marcos foi o primeiro a escrever o evangelho. Foi o primeiro catecismo da Igreja Católica. Ele quer apresentar Jesus ao povo e, para isso, usa os capítulos de 1 a 8. Jesus é  batizado no Jordão e inicia a sua missão. Rompe com sua família, deixa a profissão, escolhe a vida de celibatário para dedicar-se integralmente à Missão que o Pai lhe propôs. Começa chamando os primeiros discípulos para formar sua Equipe. João, André, Simão, Tiago são os primeiros que aceitam o convite.

O Livro do Deuteronômio nos fala que Deus enviará um grande Profeta. Ele deverá revelar tudo e virá com uma missão. Deverá falar tudo o que o Pai lhe pedir. Jesus é esse Profeta. Ele deixa Nazaré e vai morar em Cafarnaum, onde vivem os primeiros discípulos. Como bom judeu, cumpridor das leis, vai à Sinagoga para rezar, ouvir a leitura da lei e dos profetas, cantar e meditar. Após as leituras [e convidado a fazer a homilia. Todos ficam admirados: “Quem é Ele? ele fala como quem autoridade”. Sim, Ele fala com o coração. Não fica repetindo frases nem faz uma leitura fria da lei. Fala de coração para coração. Todos sentem a força de sua palavra. A Palavra é que tem autoridade.

Na Sinagoga está também um homem “tomado do espírito mau”. Ele é dependente, escravo desse espírito. Ele é o reflexo e a imagem do homem intolerante, que não aceita o contrário, vivendo um fanatismo religioso. Esse é o espírito mau que torna o homem insensível, escravo, fanático, incapaz de ver a realidade, que perde o senso crítico e fica escravo da letra, da doutrina, do poder. Assim acontece na realidade de hoje: esse fanatismo e intolerância acontece na pessoa católica, evangélica ou muçulmana. É o espírito mau que tira o senso crítico e torna a pessoa cega, dependente, escrava. Gente que acredita em todas as notícias que vê e que ouve, mesmo estando longe dos acontecimentos e da realidade. Aconteceu nas últimas eleições.

“Cala-te, diz Jesus, e sai desse homem”. João diz que as Bodas de Caná foi o primeiro milagre de Jesus, milagre da transformação, da mudança. Marcos tem outro objetivo: quer apresentar Jesus como aquele que liberta da escravidão, por isso, fala do homem “possuído pelo espírito mau”, como primeiro milagre que acontece na Sinagoga. É o mesmo sentido. É Marcos apresentando aos p primeiros cristãos quem é Jesus.