O que é o Tempo Pascal?

Ele teve início na Vigília da Páscoa; saiba o que envolve e quando termina

O Tempo Pascal é um período litúrgico que dura cinquenta dias que são “como um só”:

“Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande Domingo” (Normas Universais do Ano Litúrgico, nº 22).

O Tempo Pascal começa na Vigília Pascal, com a Ressurreição de Cristo, e é celebrado durante sete semanas, até a vinda do Espírito Santo no Domingo de Pentecostes (que significa, em grego, “cinquenta dias”).

Esse tempo litúrgico de imensa força e significado é uma profunda celebração da Páscoa de Cristo, que passa da morte à vida – a palavra “Páscoa”, aliás, significa precisamente “passagem”, conforme o sentido literal do termo na tradição judaica. O Tempo Pascal é também a Páscoa da Igreja, Corpo de Cristo, que passa para a Vida Nova do Senhor e no Senhor.

É um tempo que prolonga a alegria inigualável da Ressurreição e aguarda, ao final destes cinquenta dias, o dom do Espírito Santo na festa de Pentecostes.

Um testemunho de Tertuliano, ainda no século II, já nos conta que, neste período, não se jejua, mas se vive em prolongada alegria.

A primeira das sete semanas deste tempo litúrgico é a assim chamada “Oitava da Páscoa”, a ser encerrada com o “Domingo da Oitava da Páscoa”. O termo “oitava” se refere ao oitavo dia após a festa de referência – neste caso é a Páscoa, mas também existem a Oitava de Pentecostes, da Epifania, de Corpus Christi, de Natal, da Ascensão e do Sagrado Coração de Jesus, que são as “oitavas privilegiadas”, além de outras oitavas consideradas “comuns” (como a da Imaculada Conceição e a da solenidade de São José, entre outras) ou “simples” (como a de Santo Estêvão e a dos Santos Inocentes, por exemplo). Todo o período compreendido entre a festa principal e seu oitavo dia é considerado como uma só celebração prolongada.

O “Domingo da Oitava da Páscoa” também costumava ser chamado de Domingo “in Álbis” (ou seja, domingo “vestido de branco”), já que, nesse dia, os neófitos (novos batizados) depunham a túnica branca do batismo. Popularmente, também já foi chamado de “Pascoela”, ou “pequena Páscoa”, e, ainda, de “Domingo do Quasimodo”, devido às duas primeiras palavras em latim (“quasi modo”) cantadas no introito.

Desde o ano 2000, este segundo domingo do Tempo Pascal recebe mais um nome: o de “Domingo da Divina Misericórdia”, conforme a disposição de São João Paulo II após a canonização de Santa Faustina Kowalska. É nesse dia que chega ao fim a Novena à Divina Misericórdia, iniciada na Sexta-Feira Santa.

Dentro desse riquíssimo tempo litúrgico, é celebrada no sétimo domingo de Páscoa a festa da Ascensão do Senhor – não mais necessariamente aos quarenta dias após a Ressurreição, porque o sentido da celebração é mais teológico do que cronológico. O período se encerra com a vinda do Espírito Santo, em Pentecostes.

A unidade desta Cinquentena é destacada pelo Círio Pascal, que permanece aceso em todas as celebrações até o Domingo de Pentecostes para expressar o mistério pascal comunicado aos discípulos de Jesus.

É com esta mesma intenção que se organizam as leituras da Palavra de Deus nos oito domingos do Tempo Pascal: a primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, o livro que conta a história da Igreja primitiva e da sua difusão da Páscoa do Senhor. A segunda leitura muda conforme os ciclos, podendo ser da primeira Carta de São Pedro, da primeira Carta de São João e do livro do Apocalipse.

Fonte: Aleteia


Programação da Semana Santa 2019

Programação da Semana Santa 2019

Confira as celebrações e ritos que preparamos para celebrar a Páscoa do Senhor.

 

  • 11 de abril, quinta-feira, às 20h: Rito Penitencial
  • 14 de abril, domingo: Domingo de Ramos
    • 9h, Procissão de Ramos, saindo da praça na Av. João Erbolato. Em seguida, missa
    • 19h, Missa
  • 17 de abril, quarta-feira santa, às 20h: Via Sacra no Templo
  • 18 de abril, quinta-feira santa
    • 20h,  Ceia do Senhor
    • 22h, Vigília e oração
  • 19 de abril, sexta-feira santa
    • 7h às 14h, Vigília e oração
    • 15h, Celebração da Paixão de Cristo
    • 20h, Procissão do Senhor Morto
  • 20 de abril, sábado santo, às 20h: Vigília Pascal
  • 21 de abril, domingo da Páscoa do Senhor
    • 8h, 11h e 19h, Missa da Páscoa

Desejamos a todos uma santa Páscoa!


Quaresma | A Oração

Fonte: Paróquia Santa Luzia | Gardênia Azul

A quaresma é o tempo favorável para a oração, pois só vivendo uma vida de oração nós iremos compreende a vontade de Deus para nossa vida, e assim, amar a sua vontade. De Deus nós viemos e para ele voltaremos. Necessitamos cada vez mais de nos colocarmos na sua presença e manter nosso contato de intimidade. Deus nos convida a uma vida de entrega, e em Jesus ele se revela como um Pai amoroso que quer cada vez mais a presença de seus filhos e filhas.

Para finalizar a série de artigos sobre as práticas Quaresmais, vamos falar sobre a principal delas: A ORAÇÃO.

Nenhuma prática Quaresmal (como o Jejum ou a Esmola) tem sentido sem a oração. O principal exercício da fé é a oração, e portando nenhuma prática religiosa é eficaz sem um relacionamento direto com Deus.

Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, quando define Oração, diz:

“A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus de bens conformes à sua vontade. Ela é sempre dom de Deus, que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo, que habita no coração deles.” (Compêndio, 534)

Ou ainda, no Catecismo da Igreja Católica, a citação de uma frase de Santa Teresinha do Menino Jesus:

“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

Santo Afonso Maria de Ligório no seu livro “A Oração” nos ensina 3 coisa sobre a Oração:

  1. A NECESSIDADE DA ORAÇÃO:

“Quem reza, certamente se salva e quem não reza, certamente será condenado. Todos os bem-aventurados, exceto as crianças, salvaram-se pela oração. Todos os condenados se perderam, porque não rezaram. Se tivessem rezado, não se teriam perdido. E este é e será o maior desespero no inferno: o poder ter alcançado a salvação com facilidade, pedindo a Deus as graças necessárias. E, agora, esses miseráveis não têm mais tempo de rezar.” (nº 28)

  1. O VALOR DA ORAÇÃO:

“Como são preciosas a Deus as nossas orações! São tão preciosas a Deus as nossas orações que Ele destinou os Anjos para lhe apresentarem imediatamente as que estamos fazendo. “Os anjos, diz Santo Hilário, presidem as orações dos fiéis e diariamente as oferecem a Deus”. (nº 1)

  1. AS CONDIÇÕES DA ORAÇÃO:

 “Peçamos as graças necessárias à salvação; porque a promessa divina não foi dada para os bens temporais, que não são necessários salvação da alma. Diz Santo Agostinho, explicando as palavras do Evangelho, em meu nome, acima citadas, que “não se pede em nome do Salvador o que é contrário aos interesses de nossa salvação”.  (nº5)

A oração deve ser:

  • HUMILDE
  • CONFIANTE
  • PERSEVERANTE
  • ATENTA

Até quando devemos rezar? Responde Santo Afonso:

“Devemos rezar sempre, até que nos seja proferida a sentença tão auspiciosa da salvação eterna, isto é, até a hora de nossa morte. “Não desistas até receberes”. E ajunta que quem disser: “Não deixarei de rezar até que me salve”, certamente se salvará.” (nº38)

Se essa obrigação de uma vida de oração é tão importante durante toda vida, quanto mais no período da Quaresma, que nos prepara para celebrar a Santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que possamos aproveitar esse tempo quaresmal para intensificar as nossas orações e nos unir cada vez mais a Cristo, a fim de crescer na fé, na esperança e no amor a Deus!

Uma Feliz e Santa Quaresma!

Salve Maria!


Reflexão: 2º domingo da quaresma

Orar E Escutar O Que Jesus Diz

Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

A Liturgia da Palavra nos convida a escutar Jesus Cristo, nesta Quaresma, tempo especial de conversão em preparação para a Páscoa. No centro da passagem da Transfiguração encontra-se o convite do Pai para escutar a voz de Jesus Cristo. “Este é o meu Filho, o escolhido. Escutai o que Ele diz!” (Lc 9,35). Esta é a atitude fundamental a ser cultivada ao longo de todo o ano, especialmente, nesta Quaresma: escutar a voz de Jesus Cristo! Este é o caminho para que a “transfiguração” aconteça na vida das pessoas, das famílias e da sociedade, tantas vezes, desfiguradas pelas situações de pecado e de sofrimento que se abatem sobre tantos. Para isso, precisamos ser discípulos e discípulas que se disponham a subir a montanha “para rezar” (Lc 9,28), conforme ressalta a narrativa e Lucas.

Antes da Transfiguração, Jesus havia feito o anúncio de sua paixão e morte (Lc 9,22), convidando os seus discípulos a tomarem a cruz e segui-lo. A contemplação de Cristo transfigurado deveria animar a fé dos discípulos e prepará-los para subir o monte Calvário, isto é, para participar da paixão e abraçar a cruz.

S. Lucas ressalta ainda que os discípulos subiram a montanha, conduzidos por Jesus Cristo. Ele os “levou consigo” (Lc 9,28). O discípulo não sobe sozinho o monte da Transfiguração; não realiza tal experiência por si mesmo. “Sobe” porque o Senhor o “tomou consigo”, isto é, pela gratuidade do amor de Deus. A graça de Deus precede e acompanha a subida.

Abraão e Paulo são modelos a serem imitados. Deixar-se conduzir por Deus, nele confiando sempre, é a atitude permanente dos discípulos de Jesus, testemunhada, muito antes, por Abraão. Ele “teve fé no Senhor” (Gn 15,5). O exemplo de Abraão continua a ecoar ao longo da história, motivando-nos a caminhar rumo a uma vida nova, sustentados pela fé. Paulo também é modelo pelo caminho da cruz que escolheu percorrer, animado pelos mesmos sentimentos de Cristo, ao contrário dos que “se comportam como inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18s). Quem crê em Deus não se instala numa vida cômoda; ao contrário, deixa-se interpelar por ele nas diversas circunstâncias, procurando discernir a sua vontade. Para tanto, são muito necessários os momentos de oração, de meditação da Palavra e de contemplação da presença amorosa de Deus na vida.

Aproveite este Tempo Quaresmal para rezar mais e escutar o que Jesus nos diz, lendo e meditando o seu Evangelho. Reze e medite o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus através da Via-Sacra. Participe melhor da Eucaristia e prolongue a atitude de oração na vida cotidiana. Tenha uma frutuosa Quaresma!


Quaresma | A Esmola

Fonte: Paróquia Santa Luzia | Gardênia Azul

No tempo da Quaresma, a Igreja nos propõe três práticas penitenciais de extrema importância à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa. Neste tempo, propício à conversão, os cristãos se dedicam de forma mais intensa à oração, à penitência, ao jejum, ao silêncio, à meditação da Palavra e à caridade. Quaresma é tempo favorável para “ordenar a própria vida” na direção do sonho de Deus para toda a humanidade. Para que este processo de “ordenamento” aconteça, o tempo litúrgico quaresmal nos convida a “considerar” as nossas relações vitais: com Deus, com os outros, com o mundo e consigo mesmo. A vida é um abrir-se aos demais (esmola), um manter-se no mistério de Deus (oração) e ser capaz de ordenar e dirigir a própria existência (jejum).

Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Esse deve ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola. É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, fazer um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.

A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.

No Catecismo da Igreja Católica, a Igreja apresenta as formas de penitência:

“A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo Batismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade «que cobre uma multidão de pecados» (1 Pe 4, 8). (CIC § 1434)”

Diante disso, vamos começar uma série de artigos apresentando as práticas quaresmais, começando pela ESMOLA.

A esmola, trata-se da caridade fraterna nas suas mais diversas formas: visitar um doente ou idoso, aproximar-se de alguém de quem se está afastado, ajudar material, espiritual ou psicologicamente alguém necessitado, ser mais atento à prática da esmola, sobretudo atendendo bem àqueles que batem à porta de nossa casa, doar sangue, etc. Em resumo, podemos dizer que a prática da esmola pode ser realizada através das obras de misericórdia corporais e espirituais: instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem teto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos.

O que a oração pede, o jejum alcança e a esmola recebe. O jejum é a alma da oração, e a esmola é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las porque são inseparáveis. Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a esmola.

Por causa da ganância vemos o mundo numa situação de grande injustiça e miséria para muitos. O nosso Catecismo da Igreja Católica diz:

“Uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social. (GS. 63,3) Toda prática que reduz as pessoas a não serem mais do que meros meios que têm em vista o lucro escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo. (CIC § 2424).”

A fim de combater o apego ao dinheiro e aos bens materiais, a prática da esmola é um grande remédio.

A esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus (Catecismo da Igreja Católica 2447). “Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos, faça o mesmo” (Lc 3, 11). “Dai antes de esmola do que possuis, e tudo para vós ficará limpo” (Lc 11, 41).

O remédio contra a avareza é o “abrir as mãos”, não para receber, mas para dar. Quanto mais apegado você for ao dinheiro, tanto mais deve fazer o exercício de “dar” boas e generosas esmolas… até que as suas mãos aprendam a se abrir sem que o seu coração chore. Exaustivamente a Bíblia fala da importância da esmola: “Quem se apieda do pobre, empresta ao Senhor, que lhe restituirá o benefício”. (Prov 19,17).

São Leão Magno dizia que “a mão do pobre é o banco de Deus”. “Dá esmola de teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois, assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti”. (Tob 6,8)

O importante é que se dê com alegria e liberdade, certo de estar ajudando o irmão e agradando ao Pai: “Dê cada um conforme o impulso do seu coração sem tristeza, nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria” (II Cor 9,7)

Mas, só terá mérito diante de Deus a esmola dada em silêncio. “Quando, pois, dás esmolas, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas… já receberam a sua recompensa” (Mt 6,2-4):

 “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.”

Jesus nos pede que a esmola seja dada por amor a Deus e aos irmãos, e não por vanglória, vaidade ou para “aparecer” aos outros. Praticando a esmola, exercitamos o desapego das coisas materiais e nos voltamos para as realidades eternas.

Muitos se tornam apegados aos bens e ao dinheiro por insegurança diante do futuro. Lembremos: “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,34)

A gratuidade deveria ser uma das características do cristão, o qual – consciente de ter recebido tudo gratuitamente de Deus, isto é, sem mérito algum – aprende a dar da mesma forma aos outros. A esmola nos ajuda a viver a gratuidade do dom, que nos liberta da obsessão da posse, do medo de perder aquilo que se tem, da tristeza de quem não quer compartilhar com os outros o próprio bem-estar.

Que possamos aproveitar esse tempo quaresmal para aprofundar a nossa espiritualidade e crescer na caridade fraterna!

Uma Feliz e Santa Quaresma!

Salve Maria!


Reflexão: 1º Domingo da Quaresma

Que esta quaresma, tempo de conversão, seja uma caminhada feliz, alegre que purifique e intensifique nosso relacionamento com Deus!

Autor: Padre Cesar Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

Iniciamos nosso tempo quaresmal com a reflexão sobre a gratidão a Deus pelos frutos recebidos, expressada pela restituição ao Senhor, através de seus pobres, das primícias dos frutos do trabalho. Essa atitude reconhecedora de que tudo o que temos vem de Deus, reafirma nossa absoluta dependência Dele.

No passado, as primícias eram entregues aos representantes de Deus: os levitas, os estrangeiros, os órfãos, as viúvas, enfim a todos aqueles que não possuíam terras, que eram socialmente pobres.

Ouça a reflexão

Não basta a profissão de fé, mas é imperiosa a solidariedade e a generosidade em favor dos necessitados. Reconheço a bondade de Deus, sua generosidade para comigo, partilhando com os pobres o que Dele recebi.

O Evangelho nos fala das tentações a que o ser humano é exposto. Lucas nos mostra Jesus, o Homem por excelência, vivenciando essas tentações e saindo imune dessas ações demoníacas.

A primeira tentação é em relação à comida, à subsistência. Todos precisamos nos alimentar para viver. Todavia Jesus passa um longo tempo sem se alimentar e, apesar da fome, não dá vazão aos apelos do próprio corpo para que se alimente e se mantém fiel a Deus.

Se tivesse usado seus poderes para saciar suas necessidades, teria sido um vencedor aos olhos do mundo, mas um derrotado aos olhos do Pai. Jesus rebate o Mal com um pequeno texto da Sagrada Escritura: “Não só de pão vive o homem!”

Somente aquele que considera sua vida à luz da Palavra de Deus está em condições de atribuir às realidades terrenas seu exato valor!

A segunda tentação está voltada ao modo de nos relacionarmos com as pessoas. Somos levados a uma escolha entre dominar ou servir, competir ou solidarizar, explorar ou disponibilizar-se. O intelectual, o rico, o mais forte, todos esses podem se transformar em opressores daqueles que não tiveram oportunidades.

Onde quer que se espezinhe a dignidade humana, aí entra a lógica do diabo. Para Jesus, grande não é o bem sucedido, aquele perante a quem o mundo se ajoelha, mas aquele que se ajoelha para lavar os pés do irmão mais pobre.

A terceira tentação é a que deturpa o relacionamento entre o homem e Deus. Satanás usa a palavra de Deus, o famoso “Está escrito …”  para desviar Jesus do caminho. Com isso o Mal corrói os fundamentos da relação com Deus. Colocar Deus à prova, incutir no ser humano a dúvida quanto à fidelidade do Senhor, fazer o homem desejar ter provas da existência e da bondade do Pai. Jesus se mantêm firme em toda e qualquer situação, inclusive no momento final da grande provação: a da agonia no horto e a crucificação.

Somos tentados cotidianamente e o seremos também no final de nossa vida, como foi o Mestre.

A segunda leitura nos alenta diante desses espinhos diários. Diz-nos o Apóstolo: “Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo!”  As obras só têm valor em virtude da união com Cristo. É ele quem dá a dimensão transformadora dos bens materiais em espirituais.

Que esta quaresma, tempo de conversão, seja uma caminhada feliz, alegre que purifique e intensifique nosso relacionamento com Deus!


Ser ponte de paz e bem

Certamente, desde a infância, todos nós aprendemos o que é uma ponte, pois as usamos com muita frequência. Elas podem ter formas diversas e ser construídas com diferentes materiais, mas sempre acabam ligando margens opostas de cursos de água, de banhados ou vales. Em sentido figurado, junto com os dicionários, podemos dizer que ponte é qualquer elemento que estabelece ligação, contato, comunicação entre pessoas ou coisas. É então que chegamos a falar em ser ponte ou fazer ponte entre pessoas que se aproximam sempre mais ou entre pessoas que aos poucos, ou mesmo repentinamente, vem criando margens, por vezes bem distantes, e necessitam de pontes de encontro ou de reencontro, de reconciliação, de misericórdia e de perdão, tanto no mundo civil quanto no religioso.

Ao escrever este artigo lembro que a Igreja usa o termo Pontífice para referir-se ao Papa. Ele é o pontifex (pons = ponte + facere = fazer), aquele que faz ponte entre Deus e a Igreja – Povo de Deus -, da qual ele é o representante máximo, tornando-se o primeiro administrador da multiforme graça de Deus (cf. 1Pd 4, 10). Sabemos que o verdadeiro e definitivo Pontífice, Aquele que ligou (reconciliou) o céu e a terra, é o próprio Cristo. Depois de ter oferecido um sacrifício único, sentou-se para sempre à direita de Deus (cf. Hbr 10, 12). Jesus confiou este poder-serviço de ser ponte para os apóstolos e seus sucessores. Por isso, em comunhão com o Papa, Sumo Pontífice, estão também os bispos, por ele nomeados, os presbíteros e os diáconos, como colaboradores da ordem episcopal. Todos receberam a graça da ordenação e se tornam quais pontes (pontífices) ou administradores da graça de Deus para seu povo. Não por seu mérito, mas por vocação, por graça de Deus.

Contudo, o ser ponte pode ter um sentido ainda mais amplo. Todo cristão batizado pode e deve ser qual ponte de paz e de bem que interliga as pessoas. Como são importantes aqueles e aquelas que exercem um verdadeiro serviço de comunhão, de reconciliação em nossas famílias, comunidades e na sociedade em geral. São pessoas que constroem a paz e a fraternidade. Edificam pontes de amor onde os encontros ou reencontros, por vezes, até parecem distantes. Isso nos faz lembrar a bela missão das lideranças de nossas comunidades, que zelam pelo crescimento de unidade e de comunhão entre os fiéis. Refiro-me aos Conselhos, aos Ministros extraordinários aos Catequistas e todos os que cultivam o espírito da paz e do bem. Unidos a eles e elas, rezemos a Oração da Paz, normalmente atribuída a São Francisco de Assis – o santo da fraternidade universal:

Senhor!

Fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna”. Com a graça do Senhor, sejamos pontes de paz!

Por Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul, via CNBB


Receita para um ano novo de paz

Por Pe. Flávio Sobreiro | Canção Nova

Não tenha medo de recomeçar. Nem sempre é fácil deixar aquilo que nos aprisiona. Liberte-se das prisões que criou para si mesmo. Olhe ao seu redor e veja que, na liberdade madura, você pode ser mais feliz do que sendo prisioneiro de seus pecados. Liberdade conquista-se com responsabilidade; e a maturidade é o fruto das escolhas bem realizadas. Abra os cadeados que o impedem de ver a vida com mais otimismo. Despeça-se do mau humor. Viva com mais leveza e pare de achar o lado ruim das pessoas e das situações. Chegou o momento de viver a vida com mais gratidão. Mais um ano mal-humorado será insuportável para você mesmo.

Sempre é tempo de praticar gestos de bondade

Fuja das trevas e caminhe na luz. Um novo ano é sempre uma nova oportunidade de buscar a luz. Deixe-se iluminar pelo bom exemplo das pessoas. Busque amizades que agreguem valor a sua vida. Despeça-se das situações que ofuscam sua visão. Você foi criado para iluminar-se. Seja luz! Brilhe amando! Ilumine semeando esperança!

Acredite que sempre é tempo de praticar gestos de bondade. Não espere o momento ideal para ajudar alguém. Faça de cada situação uma oportunidade única para praticar o bem. Faça de cada dia deste novo ano o tempo de amar. Faça a diferença! Acredite na força do amor partilhado.

Pequenos gestos fazem grandes diferenças

Seja misericordioso. Acolha a todos com um sorriso verdadeiro e um abraço fraterno. Pequenos gestos fazem grandes diferenças quando praticados com amor. Seja ponte que une e não muro que separa. Ajude os necessitados e cada dia deste ano novo será um Natal permanente. Visite os enfermos e celebre a liturgia da caridade, no altar de cada leito de dor. Ofereça sua bondade sem esperar retorno. Quem semeia com amor colhe sorrisos de gratidão.

A oração é alimento da alma e fortaleza na vida

Ore mais. A oração é alimento da alma e fortaleza na vida. Em cada oração, unimo-nos mais profundamente ao coração de Deus. Mesmo em meio às lágrimas e dificuldades, busque o auxilio e a segurança d’Aquele que nunca nos abandona. Em Deus somos acolhidos no amor e na misericórdia. Nosso Pai celestial jamais abandona um filho necessitado. Seja na dor ou na alegria, busque Deus com amor. N’Ele somos amados eternamente.

Acredite em si mesmo

Você é protagonista da mais bela história da vida, da qual Deus o fez personagem principal. Sua missão começa com um sorriso de bondade e se expande pelo mundo com pequenos gestos de amor. No palco da vida, você é obra divina da criação. Você foi gerado no amor de Deus. Em sua alma estão impressas as marcas da divindade. Você é fruto de um amor eterno, por isso mesmo, faça deste novo ano o início de um novo tempo na sua história. Seja para o mundo a realidade de um novo tempo. Seja de Deus! Seja feliz com Deus!


Epifania do Senhor: “Jesus se manifesta a todos os povos”

Padre Alessandro Henrique explica solenidade da Epifania do Senhor, ou o Dia de Reis, celebrada neste domingo, 6

Julia Beck | Canção Nova

A Igreja celebra neste domingo, 6, a Epifania do Senhor, ou o Dia de Reis. A festa, que marca o fim do tempo do Natal e o início de um novo tempo litúrgico, é, segundo o padre Alessandro Henrique, pároco da Igreja Cristo Rei – localizada em Lorena, interior de São Paulo —, uma solenidade cheia de significados, a começar pelo nome que lhe é atribuído, “epifania”.

A palavra, que tem origem grega, significa manifestação. “Epifania é a manifestação de Deus, lembrando que Jesus Cristo nasceu no silêncio da noite. Foi revelado apenas a alguns pastores, como é narrado na sagrada escritura, e os anjos, a corte celeste que ali glorificaram a Deus. Então, quando Jesus se manifesta a todos os povos, nós damos este nome de Epifania, a manifestação de Deus”, explicou o sacerdote.

Além da Epifania do Senhor, a Igreja celebra também a Epifania do Batismo do Senhor e a Epifania das bodas de Caná. “São três momentos em que Jesus Cristo manifesta o poder de Deus. Na Epifania com os três reis magos, Ele se manifesta ao mundo, nas bodas de Caná Ele manifesta a sua experiência de Messias que veio para nos salvar, e no batismo nós vamos lembrar o momento em que Jesus Cristo é batizado no Rio Jordão. O céu se abriu e uma voz disse: ‘Eis o meu filho amado no qual coloco toda a minha alegria’. Ali, o Espírito Santo pousou sobre Ele e, mais uma vez, Deus se manifestou”, comentou padre Alessandro.

Os magos

Os reis magos, citados apenas uma vez nas Sagradas Escrituras por São Mateus, representam, de acordo com o sacerdote, todos os povos. “Os magos representam todos os povos, na pessoa daqueles três que chegaram a Jesus Cristo naquela manjedoura, eles fizeram a experiência de encontrar o menino, depois de revelado que o Messias, o Salvador havia nascido. Se Jesus nasceu no silêncio do Natal, na pessoa dos reis ele se manifesta a todo o mundo”, revelou o padre.

Diante da falta de detalhes documentais sobre os reis magos, foram atribuídos a eles, significados, nomes e interpretações. Estes conceitos fazem parte, segundo padre Alessandro, da fé popular, ou crendice popular: “Conforme as festas foram evoluindo, crescendo, foram lhes atribuindo características. Podemos fazer uma interpretação bíblica de que Deus se manifesta a todos os povos naqueles magos, e uma interpretação popular daqueles reis que oferecem presentes a Jesus e a festa dos Reis. A Igreja acolhe a pureza da fé daquele povo que celebra essa festa”.

As decorações natalinas

Padre Alessandro esclareceu o porquê da data representar a retirada das decorações natalinas: “Como é encerrado o tempo do Natal, não tem porquê continuar com as decorações natalinas, então se faz a festa dos reis magos e naquele dia se retira a decoração para dizer: ‘Acabou o tempo do Natal, a Igreja começa um novo tempo’.


Agenda de celebrações para o período de Natal e fim de ano

Confira a agenda de celebrações que o Padre João Passadore presidirá na Paróquia Cristo Rei no período do Natal e de fim de ano.

  • 20 de dezembro, quinta-feira, às 20h, celebração penitencial.
  • 24 de dezembro, segunda-feira, às 20h, Missa da Vigília de Natal
  • 25 de dezembro, terça-feira, às 20h Missa do Natal do Senhor
  • 31 de dezembro, segunda-feira, às 20h, Missa da Vigília do Ano Novo

Não haverá celebrações no primeiro dia do ano.