Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo tem um significado muito mais profundo do que costumamos dar através de nossas comemorações fantásticas com tantos abraços e fogos de artifícios.

Não é somente o Kalendário da parede ou da mesa do escritório que precisamos mudar. É preciso mudar nosso modo de pensar, de ver o mundo, de se relacionar com as pessoas. O mundo nos incentiva à competição e ao consumo. Vivemos desligados, desconectados, de Deus e dos outros. Separados da natureza, uns dos outros. O mundo coloca os bens materiais como critério de felicidade. Se você compra ou constrói uma casa fica feliz. Então, vai comprar outra casa para se sentir mais feliz. E depois quer outra casa ainda mais.

Na máquina americana, riqueza é sinônimo de felicidade. Quando aquelas torres, nos Estados Unidos, foram derrubadas o povo ficou com medo e se fechou em casa. Em seguida receberam a mensagem publicitária: “Saia e compre!” Nós não somos formados para ser cidadãos, mas consumidores. Quando éramos pequenos tínhamos medo de dragões e de monstros. Hoje o dragão é a economia. A Imprensa trata a economia como coisa. A coisa é mais importante que o Ser Humano. Vejam a situação de nossos Prontos Socorros, Hospitais, Educação…

Como cristãos temos que andar na contra mão do mundo. O Evangelho aponta outros valores para conduzir a nossa vida. Diferentes dos valores do Mundo. Jesus disse e está no capítulo 17 de João: “Vocês não são do mundo como Eu também não sou do mundo… Pai, peço que não os tires do mundo, mas que os preserve do mal”.  Não temos que fugir e criar ghetos e grupos fechados para nos proteger. Temos que nos ligar em Cristo e sair pelo mundo para realizar gestos de compaixão, bondade, gentileza, amor e alegria. Isto está em nosso DNA. O que cada um faz em particular repercute no mundo. Positivo ou negativo.

O Papa Francisco nos pede para viver o Evangelho da Alegria e levar essa alegria para o mundo. Seus gestos confirmam suas palavras. Feliz Vida Nova. Feliz conexão com Deus e com os outros para estar sempre a caminho da felicidade e da paz. Feliz Dia para novas decisões que implicam em mudança de atitude e de vida. (Homilia da Missa de 31 de dezembro, na Paróquia Cristo Rei)


Uma “Igreja Samaritana”

É o Papa Francisco quem diz: “É preciso passar de uma Igreja alfândega, a uma Igreja Samaritana”.

Cada pronunciamento do Papa revela um “Programa de Vida” para todos os membros do Povo de Deus, que é a Igreja. Alguns não querem ouvir, não querem aceitar. Não se dispõem a mudar de mentalidade nem a deixar que outros mudem a realidade.

É preciso aprender a abraçar“, diz Francisco. A ideia de Igreja Samaritana vem de Paulo VI: “Vejo com clareza que aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem níveis altos de colesterol ou de açúcar no sangue. Primeiro curar as suas feridas, depois podemos falar de tudo o resto. Curar as feridas, curar as feridas… É necessário começar de baixo”.

Infelizmente vamos indo muito devagar. As propostas de mudança ficam na periferia… “Igreja de Alfândega, diz Francisco,  é uma Igreja preocupada antes pelas normas a aplicar do que pelas pessoas a acolher“. Igreja preocupada consigo mesmo, Igreja de conservação, voltada par as suas estruturas.

Pense bem: as pessoas que mais nos ajudaram não foram as que nos corrigiram, mas as que nos amaram. Por isso, diz o Papa Francisco: “Só a misericórdia gera, amamenta, faz crescer, corrige, alimenta, conduz pela mão… Sem a misericórdia temos hoje poucas possibilidades de nos inserir no mundo dos “feridos”, que têm necessidade de compreensão, de perdão, de amor”.

A palavra de Jesus a Nicodemos expressa muito bem a atitude proposta hoje para os discípulos missionários: “Se Você não nascer de novo, Você não entrará no Reino dos Céus“.

Aniversário da Dedicação da Basílica do Latrão – Padre Magalhães


Não tenhais medo – Homilia

Por três vezes Jesus diz no Evangelho: “Não tenhais medo”. lhes a sua presença, a sua ajuda, a sua proteção, a fim de que os discípulos superem o medo e a angústia que resultam da perseguição.

O projeto de Jesus, vivido com radicalidade e coerência, não é um projeto “simpático”, aclamado e aplaudido por aqueles que mandam no mundo ou que “fazem” a opinião pública; mas é um projeto radical, questionante, provocante, que exige a vitória sobre o egoísmo, o comodismo, a instalação, a opressão, a injustiça…

É um projeto capaz de abalar os fundamentos dessa ordem injusta e alienante sobre a qual o mundo se constrói. Há um certo “mundo” que se sente ameaçado nos seus fundamentos e que procura, todos os dias, encontrar formas para subverter e domesticar o projeto de Jesus.

A nossa época inventou formas (menos sangrentas, mas certamente mais refinadas do que as de Domiciano) de reduzir ao silêncio os discípulos: ridiculariza-os, desautoriza-os, calunia-os, corrompe-os, massacra-os com publicidade enganosa de valores efêmeros… Como a comunidade de Mateus, também nós andamos assustados, confusos, desorientados, interrogando-nos se vale a pena continuar a remar contra a maré…

A todos nós, Jesus diz: “não temais”.

 


O que é Corpus Christi?

Quinta Fera, 19, é a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Ano A

A festa do Corpus Christi é inseparável da Quinta-Feira Santa, Missa da Ceia do Senhor, na qual se celebra solenemente a instituição da Eucaristia.

Enquanto na tarde de Quinta-Feira Santa se revive o mistério de Cristo que se oferece a nós no pão partido e no vinho derramado, hoje, na celebração do Corpus Christi, este mesmo mistério é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, e o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas ruas das cidades e das aldeias, para manifestar que Cristo ressuscitado caminha no meio de nós e nos guia para o Reino do céu. O que Jesus nos doou na intimidade do Cenáculo, hoje manifestamo-lo abertamente, porque o amor de Cristo não está destinado a alguns, mas a todos.

Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Na procissão da Quinta-Feira Santa, a Igreja acompanha Jesus ao monte das Oliveiras: a Igreja orante sente um desejo profundo de vigiar com Jesus, de não o deixar sozinho na noite do mundo, na noite da traição, na noite da indiferença de muitos.

Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição. A procissão da Quinta-Feira Santa acompanhou Jesus na sua solidão, rumo à “via crucis” (caminho da cruz). A procissão de Corpus Christi, ao contrário, responde de maneira simbólica ao mandamento do Ressuscitado: precedo-vos na Galileia. Ide até aos confins do mundo, levai o Evangelho a todas as nações.

Sem dúvida, para a fé, a Eucaristia é um mistério de intimidade. O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos.

 Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspeto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa festa. Nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas estradas da nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas, a nossa vida quotidiana à sua bondade.

Que as nossas estradas sejam de Jesus!

Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele!

A nossa vida de todos os dias estejam penetradas da sua presença.

Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a insegurança dos jovens, a solidão dos idosos, as tentações de todos nós e os receios toda a nossa vida. A procissão pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa cidade: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo, o raio da sua bênção abranja todos nós! Somos convidados a responder também ao seu mandamento: “Tomai e comei… Bebei todos” (Mt 26, 26s.). Não se pode “comer” o Ressuscitado, presente na figura do pão, como um simples bocado de pão. Comer este pão é comunicar, é entrar em comunhão com a Pessoa do Senhor Vivo.

Esta comunhão, este ato de “comer”, é realmente um encontro entre duas pessoas. se penetrar pela vida d’Aquele que é o Senhor, d’Aquele que é o meu Criador e Redentor. A finalidade desta comunhão, deste comer, é a assimilação da minha vida à sua, a minha transformação e conformação com Aquele que é Amor vivo.

                          (Texto extraído das homilias de Bento XVI – 2005-2008-2011 – edição: Padre Magalhães)

Examinando a Consciência:

Que lugar a Eucaristia ocupa na minha vida?

Que consciência tenho dessa presença amorosa do Senhor que vem nos alimentar para a Missão?

Que relação tem a Eucaristia com minha vida? Uma coisa é a Comunhão, outra coisa é minha vida?

Vivo essa comunhão com Deus no cotidiano de minha vida, vivendo em comunhão com os irmãos?


MEDITANDO O EVANGELHO

PENSANDO NO EVANGELHO (2)

 

Jesus vai à Sinagoga como era seu costume. Faz a leitura do livro do Profeta Isaíais: “O Espírito do Senhor está sobre mim, ele me ungiu (cristós)… me enviou… para anunciar o Ano da Graça do Senhor”. Inicialmente os judeus ficam encantados, admirados. Mas, ao final, passam a ter um sentimento de indignação. O que aconteceu? Ele havia dito: “Hoje se cumpre essa Profecia”. Ele é o Grande Profeta, escolhido por Deus, vem falar a Verdade, vem mostrar a realidade e fazer o povo “ver” aquilo que eles “não vêem”. Por isso Ele incomoda, questiona. Provoca reação. Em alguns, revolta e indignação.

 

Mas o que incomodou os judeus? Eles entenderam muito bem a mensagem: a salvação é universal. O Messias não vem somente para os judeus, mas para todos. Como assim? se perguntam. Jesus havia explicado: (1) Elias foi enviado a uma simples viúva, pagã, da cidade de Sarepta; (2) Eliseu foi enviado para curar o Sírio e pagão, Naamã. Como reagem os judeus a essa mensagem? “Levantaram-se e o expulsaram da cidade” e quiseram jogálo de um alto monte abaixo.

 

O Profeta incomoda. Jesus incomoda com suas palavras e sua ação. Ele veio para corrigir, dizer a Verdade. Nem todos gostam disso. Não se trata de jogar a Verdade no rosto de alguém, de qualquer forma. Mas, dizer a Verdade, corrigindo, mostrando outro caminho. Por isso, o Apóstolo Paulo fala em amor, caridade: fé e esperança haverão de passar, mas a caridade permanecerá para sempre, ultrapassando a morte.


PENSANDO NO EVANGELHO

PENSANDO NO EVANGELHO

3º Domingo do Tempo Comum

 

Jesus está iniciando sua missão: entra na Sinagoga e lê o livro do Profeta Isaías para o povo ali reunido. Recorda a promessa feita no passado e diz: “Hoje a profecia se cumpriu” – Lc 1.21. Jesus é a Palavra. Palavra do Pai: “Eu não falei por mim mesmo. O Pai que me ordenou a dizer…” (Jo 12 49). No alto da Cruz Ele confirma: “Tudo está consumado”. Promessa feita, promessa cumprida. Jesus se apresenta como o Profeta que Deus ungiu pelo Espírito: Ele fala, anuncia, questiona, provoca mudança pessoal.  Mudança individual, social e das estruturas do mundo. É missão libertadora.  

 

A missão de Jesus é missão de cada um. O Batismo e a Crisma conferem ao cristão a Graça e o Dom do Espírito para continuar a Missão de Jesus. Os cristão prometem e se comprometem, nessas ocasiões, aacompanhados de padrinhos e testemunhas, mas não “cumprem a profecia”. A ideia que os Leigos têm dos padres ainda é pré-conciliar: os padres de um lado e os leigos do outro. Olham os padres como únicos responsáveis ou donos das comunidades paroquiais. Perderam essa dimensão de Povo de Deus e ainda não a assumiram após o Concílio Vaticano II.

 

 

No dia 13 de janeiro, mais de um milhão de muçulmanos, judeus e cristãos de várias denominações – entre os quais, bispos e presbíteros – saíram às ruas, em Paris, para protestar contra o projeto de lei que  Hollande pretende aprovar: o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Sem entrar no mérito da questão, vale ressaltar a consciência coletiva e a reação participativa daqueles que se sentem na obrigação de não se calar, não se omitir nem ser cúmplice. São Pedro disse no início da Igreja aos membros do Sinédrio: n”É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (At 5,29).

 


Dia do Dízimo

Reflexão sobre o dízimo

 

Os primeiros cristãos nos ensinam a viver intensamente o espírito de Cristo na comunidade: “Eles tinham tudo em comum… Não havia necessitados entre eles”. O espírito de “partilha” estava sempre presente no coraão dos cristãos. Eles tiham vergonha de ter pessoas miseráveis em sua comunidade, mesmo que não fossem cristãos. Cada um se preocupava com os outros buscando sempre tornar a vida de cada um menos pesada. Todos têm direitos de ter os bens necessários à sua sobrevivência.

 

Nossa comunidade se sente feliz pelo espírito de partilha que está presente em todos os que frequentam a paróquia; são muitas as ofertas que recebemos e que são partilhadas com as creches e o brechó. Outras tantas campanhas já foram desenvolvidas na paróquia com grande participação de todos: enxovais para bebês entregue à Pastoral da Criança, produtos de hiegiene pessoal, para as mulheres na penitenciária, material de construção para uma casa na periferia, papéis de cartas, envelopes, etc, para homens na penitenciária, lápis, borracha e apontadores para crianças na África…

 

Já no Antigo Testemento encontramos muitos testemunhos desse espírito que envolvia o povo de Deus. Isso vem da família e deve ser incentivado nas crianças. É na família que aprendemos a partilhar amizade, confiança, tarefas, serviços, atenção e sensibilidade à necessidade do outro. “Homem algum é uma ilha”, e não precisa de ninguém. Dependemos uns dos outros e não podemos viver sem o outro. Os serviços que se prestam na sociedade são exemplo disso. Mas, é muito mais admirável o serviço voluntário que é prestado em comunidades, paróquias, ONGs…

 

Dia do Dízimo ou Partilha é dia de gratidão a Deus pelo que dele recebemos e pelo que partilhamos entre nós, lembrando-nos, especialmente dos mais necessitados…


21º Domingo TC

23º Domingo do Tempo Comum

 

Depois de refletir sobre “os decretos e leis” do Senhor, caminho para a verdadeira liberdade, a liturgia nos direciona para a importância do “escutar”, porque há muita diferença entre ouvir e escutar. Para ouvir usamos nosso sistema auditivo: precisamos prestar atenção, recordar, refletir, acompanhar o que ouvimos, aceitar ou não. Escutar é muito mais que captar sons. Na tradição bíblica, quando se fala em escutar se pensa no coração: “Escuta, Israel” (shemá, Israel!). Quando o judeu ouvia essa palavra e quando a lemos na Bíblia devemos pensar que se trata de um ato de fé e submissão à vontade de Deus. Veja o que fez Jesus quando lhe trouxeram “um homem surdo que falava com dificuldade”.

 

Jesus toca os ouvidos e a boca do homem e diz “Effata!” que quer dizer, “abre-te”. Nossa mente hoje em dia anda poluída com tantas informações desencontradas que já não conseguimos “escutar” realmente o que o Senhor nos diz. E Ele não fala apenas na igreja, na leitura bíblica, na palavra do sacerdote ou do pastor. Ele fala nas ruas e praças, nas encruzilhadas da vida e da história, tentando nos orientar, dirigir nossos passos para o caminho certo, caminho da paz, da verdade, da liberdade… da realização plena como Ser Humano. “Ser” Humano como Jesus. “Escuta Israel”. “Escuta” homem e mulher, escuta jovem e idoso, escuta solteiro e casado.

 

Há pessoas que não escutam com seu “sistema auditivo”, mas ouvem pela leitura labial ou linguagem de sinais, e levam a palavra ao coração. Outros se fazem de surdos, não escutam os clamores do povo, os gemidos dos sofredotes e excluídos, os apelos de Deus presente na história, nos acontecimentos… Por isso, Jesus vai dizer, um dia: “Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; se vós não ouvis, é porque não sois de Deus”. É forte isso, hein?!

 

Mas, o seguidor de Jesus não perde a esperança. Escuta a voz do Profeta Isaías, na primeira leitura, que busca “criar ânimo e esperança” no povo porque o Senhor vem para salvar. Esse tempo haverá de chegar: “Então, se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos“. As mudanças haverão de acontecer se os seguidores apaixonados de Jesus fizerem o que Ele fez quando passou pela terra. A iniciação à fé implica na cura da surdez e do mutismo. Por outro lado, a falta de fé torna as pessoas surdas e mudas. Não é verdade que certas pessoas não escutam os conselhos e orientações de outras pessoas?

 

E por que Jesus “cuspiu e, com a saliva, tocou a língua dele”? Não é um ato nada higiênico? Na mentalidade judaica a saliva lembra o sopro, lembrança do espírito que dá a vida, característica da nova criação. Recordamos também que os antigos atribuíam à saliva virtudes terapêuticas.  E por que Jesus leva o homem mudo para longe da “multidão”? Com certeza, Marcos quer dizer que aquela multidão era surda ao chamado de Deus e não iria entender nada do que Jesus estava fazendo.

 

Aí vem o Ano da Fé, promulgado por Bento XVI com o objetivo de “escutarmos” a voz da Igreja dirigida aos católicos pelos documentos do Concílio Vaticano II – que aconteceu há 50 anos – e o Catecismo da Igreja Católica – elaborado há 20 anos. Foi o Concílio que colocou a Bíblia nas mãos dos Católicos. Foi o Concílio que valorizou a Palavra de Deus na Liturgia e abriu caminho para que os católicos aprofundassem seus conhecimentos em cursos e círculos bíblicos, e na reunião de grupos para a “Leitura Orante da Palavra de Deus”. Os mesmos gestos de Jesus continuam hoje, na Igreja, através dos sacramentos: impôr as mãos, tocar a pessoa para fazer o sinal da cuz com o óleo dos catecúmenos, da crisma, da unção dos enfermos… 

 

22º Domingo do Tempo Comum

 

Domingo passado a liturgia nos levou a meditar sobre nossas escolhas. Liberdade foi o grande dom que Deus concedeu aos humanos, mesmo correndo o risco de saber que poderiam escolher sem pesar e encontrar decepções, frustrações, tristezas e sofrimentos. Por isso, sabendo de nossas inseguranças e limitações, Deus nos aponta os caminhos: suas leis e decretos.  A leitura do Deuteronômio nos apresenta o discurso de Moisés: “Ouve, Israel, meu povo, as leis e decretos que eu vos ensino… Nada acrescenteis, nada tireis à palavra… porque neles está vossa sabedoria e inteligência…” Já pensou, Você, nessas palavras?

Lei verdadeira é caminho que liberta. Não oprime nem escraviza nem exclui, mas conduz ao encontro da verdadeira vida e liberdade. Hoje em dia está difícil de conhecer e seguir as leis de Deus. Os homens se julgam mais inteligentes que Deus, e elaboram leis e decretos que não libertam, não trazem vida, ao contrário, colocam obstáculos à verdadeira felicidade, e não promovem nem realizam o Ser Humano. Jesus fala aos fariseus que criticam os discípulos porque eles “comem sem lavar as mãos”. Estão preocupados com o exterior, com o cumprimento da lei, mas a lei do amor não é observada, contemplada, vivida. Por isso, Ele diz: “Este povo me louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim… O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sái do seu interior”. Leia Marcos 7,21.

 

Aqui está também um critério para escolher um entre tantos candidatos que se oferecem para ocupar cargos públicos. O bispo pediu para não falar de eleições na igreja, mas o Salmo 14 (15) e outros textos bíblicos nos ajudam a escolher. Somente “as leis e decretos que Eu vos ensino a cumprir” são critérios autênticos e verdadeiros para uma boa escolha: “Quem morará na casa do Senhor? Aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente, que pensa a verdade no seu íntimo, não solta a lingua em calúnias. Que em nada prejudica o seu irmão nem cobre de insultos seu vizinho. Os que respeitam o Senhor, não emprestam seu dinheiro com usura nem se deixam subornar contra o inocente…”

 

 

Sim, toda escolha é difícil, por isso, é preciso conhecer bem as pessoas por dentro, na sua sinceridade. Sim, ainda hoje é mais difícil ainda porque os marqueteiros vendem o candidato como se fosse “produto” fazendo “parecer” aquilo que não “são”. Colocam “rótulos” em vasilhames cujo conteúdo não é verdadeiro. Mas, perder a esperança de um mundo melhor nenhum cristão perde, desde que descruze os braços, se una aos de reto coração e pressionem para o Bem. Por que somente os maus podem pressionar? Alguém dizia: “tenho medo do silêncio dos bons”.

 

21º Domingo do Tempo Comum 

  

A liturgia nos convida a refletir sobre o grande dom que Deus nos deu: liberdade para escolher. Nossa vida é feita de escolhas. Desde cedo somos chamados a escolher: levanto da cama ou fico deitado? Tomo café ou vou trabalhar? Certas escolhas tem uma repercussão maior em nossa vida e outras são mais radicais: escolha da vocação, da profissão, do estado de vida… seguir ou não os caminhos de Deus…

 

No caminho para a Terra Prometida Josué pede que o povo tome uma decisão: “Vocês querem seguir os deuses dos Amorreus, da Mesopotâmia ou o Deus de Abraão?… Eu e minha família seguiremos o Senhor”. O mesmo faz Jesus quando se dirige aos apóstolos: “Vocês também querem ir embora?” Os discípulos reclamavam que a palavra de Jesus – “comer a minha carne e beber o meu sangue” – era muito dura, por isso, “muitos já não seguiam para Jesus”.

Nossas escolhas trazem consequência boas ou ruins para a nossa vida. Precisamos pensar, orar, ouvir outras pessoas de confiança. Quando escolhemos na sinceridade do coração e no desejo de ouvir e aceitar a vontade de Deus, é certo que Deus vai conosco, assume conosco e nos abençoa. Até mesmo quando escolhemos alguma coisa menos boa, com certeza Ele encontrará uma forma de nos ajudar a voltar ao caminho. Basta crer!


ASSUNÇÃODE MARIA

FESTA DA ASSUNÇÃO DE MARIA

 

Nesta festa de Maria, mãe de Jesus, temos que buscar compreender sua Missão. Ela tem muito a nos ensinar. Desde o século V acredita-se que Maria não morreu e foi elevada ao céu em corpo e alma pelos anjos, porque nasceu sem o pecado original e foi santificada pela encarnação do Verbo, Filho de Deus. Os cristãos enxergam a morte de
Maria como DORMIÇÃO e PASSAGEM: melhor ainda, entrada na glória de Deus.

 

Temos muito que aprender de Maria como mulher, mãe e esposa. Na sua humildade, ela também tinha seus sonhos e projetos, mas preferiu ficar com o Projeto de Deus. Maria era uma mulher consciente, que conhecia a realidade e participava de tudo. Sua mãe a preparou com carinho para a vida abrindo seus olhos para a realidade dos judeus. A imagem de Sant’Ana, sua mãe, nos mostra a mãe sentada com um livro no colo e a menina em pé aprendendo de sua mãe toda a história do povo que começou em Abraão, passou por Isaac, Jacó… e assim ouviu os profetas que falavam da vinda do Messias e Salvador. Assim deveriam ser os pais de hoje: ensinar com palavras e exemplos, quem é Deus, quem é Jesus, qual a missão de cada ser humano.

 

Maria era uma mulher que conhecia a realidade. Quando o anjo lhe anuncia que fora escolhida para ser a mãe do Messias ela dialoga e pergunta. Havia assumido um compromisso de trabalhar no templo, dedicando sua virgindade no serviço ao templo. Sabia que para ser mãe precisaria ter relação com um homem, conceber e dar a luz. Por isso pergunta: “Como se fará isso?”  O anjo insiste e ela fica do lado de Deus: ouve a sua voz e diz “sim”: aceito. Como mulher firme e consciente não vai consultar José, pois a palavra de Deus é mais forte: Ele sabe bem o que é melhor. Maria sabia por todos os sofrimentos que haveria de passar porque conhecia os profetas. Aceita de coração.

 

“Maria fica de pé junto à cruz”, diz João no seu evangelho. Erram os pintores, escultores que apresentavam Maria desolada. Maria estava de pé, confiava em Deus e sabia que o Pai não abandonaria seu Filho, mas o ressuscitaria. Humildade, fidelidade ao Projeto de Deus, esposa carinhosa, trabalhadora, cumpridora de sua missão e atenta às necessidades dos outros, por isso, foi correndo ajudar Isabel, sua prima, que esperava um filho na velhice, são virtudes que praticava na sua simplicidade cotidiana. Maria, mãe que soube acompanhar seu filho na sinagoga e seu esposo José no trabalho. Maria tem muito a nos ensinar. Temos que olhar a vida de Maria e dos outros também para aprender e não para julgar, criticar ou condenar.


HOMILIA

EVANGELHO 19º DOMINGO TC

 

Esse domigo continua a temática do domingo que passou: Deus está presente na vida do povo para acompanhar, ser guia e nutrir esse povo com sua própria vida feito pão. É bom perceber como Elias  (1a. leitura) persevera em seu caminho até o monte de Deus com a força proveniente do alimento concedido pelo Senhor: “Levanta-te e come, ainda tens um longo caminho a percorrer!” Assim é nosso Deus: não abandona seu povo, mas o guia pelo deserto, alimenta-o e envia para a missão.

 

Jesus diz no evangelho: “Quem come deste pão há de viver!”. Não se trata de vida longa, mas de qualidade de vida. Não é a quantidade de  tempo que viveu, mas a qualidade da existência. A Comunidade é convidada a seguir os passos de Elias: levantar-se, comer e continuar seu caminho. Participando da Comunhão do Corpo de Cristo, cada cristão é convidado a viver e construir essa comunhão em favor da vida. Porque Deus veio trazer Vida Plena.

 

EVANGELHO 18º DOMINGO TC

 

Durante cinco domingos lemos o evangelho de São João aprofundando o tema  do Pão da Vida. A multiplicação dos pães revela o poder de Jesus de tocar os corações para abrir-se par ao outro. Jesus está na montanha, lugar da revelação divina, onde Moisés recebeu a Lei. João diz que Jesus sentou-se para indicar que ele é o Mestre que ensina seus discípulos. Antes da multiplicação, Jesus questiona os discípulos: “O que vamos fazer?” Ele quer chamar a atenção para o ensinamento que vai se seguir. O nome da criança não aparece. É anônimo parta indicar que todos podem ofertar algo seu ou de si, e possibilitar a ação de Deus.

 

Jesus fala da Eucaristia. Os discípulos ainda não entendem, quem sabe, vão entender na quinta feira antes da morte, na Ceia Pascal.  São os discípulos que distribuem os pães e peixes: Jesus quer a colaboração deles na divulgação de sua palavra e de suas ações. Os restos que sobraram são recolhidos: os pães não são somente para os judeus; o que é guardado é reservado para os outros povos e nações. Significa também que Deus não quer “jogar nada fora”, ou seja, outros povos também são amados, chamados, acolhidos, amados: e que ninguém se perca.

 

Escolher Jesus como Mestre é fazer a esolha pela renúncia, egoísmo e comodismo, para poder servir aos outros e ser colaborador de Jesus na Obra do Reino. Em tempos de tanto individualismo e consumismo, é um desafio para todo cristão, hoje. O cristão também é chamado a ser pão para ser repartido, triturado.