24o. Domingo – O Perdão

Pedro faz uma sugestão ao Senhor: “Se meu irmão pecar contra mim, devo perdoar até sete vezes?” Jesus eleva ao máximo: “Não, Pedro, é até setenta vezes sete”. Essa história tem origem no Antigo Testamento. Um dos descendentes de Caim, chamado Lamec, havia dito para as suas duas mulheres: “Se a vingança de Caim valia 7, a de Lamec valerá 77” (Gen 4,24). Vejam a utilização do número 7. Jesus então propõe uma mudança de atitude afirmando que era preciso dar um passo adiante: Ao invés de usar de vingança era preciso usar o perdão. Só o perdão é capaz de construir um mundo fraterno, pacífico e amoroso. “Eu não vim para destruir a lei, vim para aperfeiçoá-la”. E para se explicar melhor conta uma parábola: um funcionário devia uma “enorme fortuna” ao seu patrão; como não tinha como pagá-la, suplicou de joelhos e foi perdoado. Mas quando este saiu e foi cobrar a dívida, de cem moedas apenas, de seu amigo, mesmo ouvindo as suas súplicas não foi capaz de perdoar. Quando o patrão ficou sabendo do caso, chamou-o e o colocou na prisão. Esse Patrão é o Deus Pai que perdoou enorme dívida de todos nós, enquanto, nós, não somos capazes de perdoar pequenas ofensas de nossos irmãos. Qual será nossa atitude diante das ofensas: fazemos como Lamec, e queremos vingança, ou procuramos amar e perdoar as ofensas? A prisão é esse estado de tristeza, mágoa e tortura interior por alimentar o espírito de vingança e de maldade. Violência gera violência. Jesus já falou para Pedro, no Jardim das Oliveiras: “Guarda a tua espada, pois, quem mata pela espada, pela espada morrerá. Violência gera violência. Quando você receber alguma ofensa lembre-se de Deus que já lhe perdoou enorme dívida, e seja capaz de perdoar as “dívidas” de seu irmão”. “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.


Pecado de omissão

As leituras do 23o. Domingo do Tempo Comum nos convidam a um olhar sobra a Obra de Misericórdia: “A correção fraterna”. Quer nos chamar a atenção sobre a nossa responsabilidade sobre os outros. Eis uma tarefa difícil de cumprir. Em se tratando de olhar os defeitos dos outros é mais fácil condenar, criticar, humilhar, fofocar, ser indiferente. Não se trata de se importar com a vida dos outros, mas, viver a fraternidade e não permitir que ninguém se perca. Corrigir os outros é um imperativo. O Senhor diz ao Profeta Ezequiel: “Logo que ouvires a minha palavra… tu deves advertir em meu nome” (Ez 33,7). E Jesus confira isso ao dizer “Se teu irmão pecar contra ti, vai…” (Mt 18,15). Não é uma sugestão, é uma ordem. O Senhor nos pede para ter sensibilidade em relação aos erros de nossos irmãos, e não se omitir nunca.E Ele nos dá uma regrinha de ouro: “vai corrigir teu irmão em particular… diante de duas ou três testemunhas… na comunidade Igreja”. Somos responsáveis por nós mesmos e por aqueles que nos rodeiam. Ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão. Seremos cobrados ao final da vida. A correção Fraterna é uma Obra de Misericórdia. Fiquemos atentos aos ensinamentos de Jesus para pôr em prática.


Não fugir da Cruz

A Liturgia do Domingo (22o.TC) nos trouxe mais um ensinamento sobre a Cruz. O verdadeiro discípulo não pode fugir da cruz. Todas as vezes que Jeremias falava,”levantando a voz contra a maldade e invocando contra calamidades”, as pessoas o criticavam, “faziam chacota”, causando-lhe muito sofrimento. Tentou desistir, fugir do sofrimento, desejando a morte. Mas Deus lhe tocou o coração, dizendo que o sofrimento era apenas uma passagem, um tempo na vida. Ele reagiu e respondeu: “Seduziste-me, Senhor e deixei-me seduzir, foste mais forte, tiveste mais poder”(Jer 20,7). Sofrimento não é castigo de Deus, não é vingança, não vem por acaso, não acontece sem motivo. Jesus avisou os discípulos que ia para Jerusalém e iria “sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e devia ser morto e ressuscitar”. Pedro reage sem pensar, levado pela amizade: “Que isso não aconteça, Senhor”. A reação de Jesus é direta: “Vai para longe de mim, Satanás!”. Jesus passou a vida toda obedecendo ao Pai, e Pedro, “pedra de apoio”, torna-se “pedra de tropeço”. (Mt 16,23) Quer forçar Jesus a desobedecer. Essa pode ser, muitas vezes, uma tentação para nós: não aceitar o sofrimento, resmungar, reclamar, revoltar-se. Deus não quer o sofrimento para nenhum ser humano, seja quem for: Ele veio “para trazer vida e vida em abundância”. O verdadeiro discípulo não pode fugir da cruz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Jesus não parou na cruz nem ficou eternamente no sepulcro… Ressuscitou e voltou para a Casa do Pai. Sofrimento é passagem. Em tempo de dor e angústia, identifique-se com Jesus, na Cruz, aceite colaborar com Cristo para a Salvação da Humanidade, hoje tão distante de Deus. Sofrimento é passagem para a glória. A Cruz é sinal de glória. Paulo diz: “Eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradávem a Deus…” (Rom 12,1). Nosso caminho é a obediência: Como pela desobediência a morte veio a mundo, pela obediência veio a salvação, a vida!


Sabedoria do Maginificat

São maravilhosas as lições de Maria na Festa da Assunção. Lição de humildade: A humildade é a Verdade. Maria reconhece que Deus fez maravilhas: “Olhou para a humildade de sua serva”. O Espírito é quem age e anima todas as ações humanas. Mas, Maria reconhece que Deus a escolheu para uma alta missão, apesar de ser “a serva do Senhor”. Quando Deus nos chama é porque Ele precisa de nós! E vai conosco. E nos dá condição para executar a “tarefa”. A humildade de Maria a leva mais longe: “Todos me chamarão de bem aventurada, de geração em geração”. Isabel confirma essa humildade e exalta a fé: “Bem aventurada aquela que acreditou porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Mas quem é o Todo Poderoso? Maria exalta suas sete virtudes em sete palavras: (1) Ele mostrou a força de seu braço (2) dispersou os soberbos de coração (3) derrubou do trono os poderosos (4) elevou os humildes (5) encheu de bens os famintos (6) despediu os ricos de mãos vazias (7) socorreu Israel, seu servo.
Maria nos ensina também a virtude da obediência. O Senhor precisa de mim, aqui estou. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Assim diziam os santos: “Deus que te criou sem ti, não te poderá salvar sem ti”. O Senhor precisa de nossa colaboração para falar, denunciar, agir, criar condições para que o outro ouça, responda, se converta, busque a sua própria transformação e santidade. “Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz”, diz o apóstolo. Ele mesmo nos lembra: “Se pela desobediência o pecado e a morte entraram no mundo, pela obediência Jesus nos salvou”. Esse é o caminho do discipulado: Maria foi a primeira discípula: “Ouvia com atenção e guardava tudo em sue coração.


Homilia de Cristo Rei

A realeza de que Jesus Se considera investido por Deus consiste em «dar testemunho da verdade» (vers. 37b). Para o autor do Quarto Evangelho, a “verdade” é a realidade de Deus. Essa “verdade” manifesta-se nos gestos de Jesus, nas suas palavras, nas suas atitudes e, de forma especial, no seu amor vivido até ao extremo do dom da vida.

 A “verdade” (isto é, a realidade de Deus) é o amor incondicional e sem medida que Deus derrama sobre o homem, a fim de o fazer chegar à vida verdadeira e definitiva. MAS O QUE É A VERDADE? Essa “verdade” opõe-se à “mentira”, que é o egoísmo, o pecado, a opressão, a injustiça, tudo aquilo que desfeia a vida do homem e o impede de alcançar a vida plena.

A “realeza” de Jesus concretiza-se, na luta contra o egoísmo e o pecado que escravizam o homem e consuma-se na proposição de uma vida feita amor e entrega a Deus e aos irmãos. Esta meta não se alcança através de uma lógica de poder e de força, mas alcança-se através do amor, da partilha, do serviço simples e humilde em favor dos irmãos. É esse “reino” que Jesus veio propor; é a esse “reino” que Ele preside.

A proposta de Jesus provoca uma resposta livre do homem. Quem escuta a voz de Jesus adere ao seu projeto e se compromete a segui-l’O, renuncia ao egoísmo e ao pecado e faz da sua vida um dom de amor a Deus e aos irmãos (vers. 37c). Passa, então, a integrar a comunidade do “Reino de Deus”. <Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz>.

♦ Ao celebrarmos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, somos convidados, antes de mais, a descobrir e interiorizar esta realidade: Jesus, o nosso rei, é princípio e fim da história humana, está presente em cada passo da caminhada dos homens e conduz a humanidade ao encontro da verdadeira vida.

Os inícios do séc. XXI estão marcados por uma profunda crise de liderança a nível mundial. Os grandes líderes das nações são, frequentemente, homens com uma visão muito limitada do mundo, que não se preocupam com o bem da humanidade e que conduzem as suas políticas de acordo com lógicas de ambição pessoal ou de interesses particulares. Sentimo-nos, por vezes, perdidos e impotentes, arrastados para um beco sem saída por líderes medíocres, prepotentes e incapazes… Em nosso país sentimos na carne essa realidade: Isso também está acontecendo no mundo. O único que está se destacando é o Papa Francisco: é o Pastor que está sempre no meio do povo, não busca seus próprios interesses, mas o Bem do povo. Assim vem acontecendo em outros países do mundo: não é o Reino de Jesus, de AMOR INCONDICIONAL, é a ambição, o interesse, o egoísmo…

Esta constatação não deve, no entanto, lançar-nos no desânimo: nós sabemos que Cristo é o nosso rei, que Ele preside à história e que, apesar das falhas dos homens, continua a caminhar conosco e a apontar-nos os caminhos da salvação e da vida.

= Jesus, o nosso rei, apresenta-Se aos homens sem qualquer ambição de poder ou de riqueza, sem o apoio dos grupos de pressão, sem qualquer compromisso com as multinacionais da exploração e do lucro. Diante dos homens, Ele apresenta-se só, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a força do amor e da verdade. Está ali, diante de Pilatos com as mãos amarradas, impotente, indefeso, mas sem medo de dizer EU SOU REI, PARA ISTO EU VIM A ESTE MUNDO.

Jesus Não impõe nada; só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus e aos seus projetos, de dom da vida, de solidariedade com os pobres e marginalizados, de perdão e tolerância. É com estas “armas” que Ele vai combater o egoísmo, a autossuficiência, a injustiça, a exploração, tudo o que gera sofrimento e morte.

♦ Nós temos de dar testemunho da lógica de Jesus. Ser gente de verdade, sem mentira, sem enganação, sem interesses egoístas. Mesmo contra a corrente, a nossa vida, as nossas opções, a forma de nos relacionarmos com aqueles com quem todos os dias nos cruzamos, devem ser marcados por uma contínua atitude de serviço humilde, de dom gratuito, de respeito, de partilha, de amor.

Como Jesus, também nós temos a missão de lutar – não com a força do ódio e das armas, mas com a força do amor – contra todas as formas de exploração, de injustiça, de alienação e de morte… O reconhecimento da realeza de Cristo convida-nos a colaborar na construção de um mundo novo, do Reino de Deus.

♦ A forma simples e despretensiosa como Jesus, o nosso Rei, Se apresenta, convida-nos a repensar certas atitudes, certas formas de organização e certas estruturas que criamos… Deve dar um testemunho de amor e de solidariedade para com os pobres e marginalizados ao invés de controlar as autoridades políticas e os chefes das nações; deve preocupar-se mais com o serviço simples e humilde aos homens do que com os títulos, as honras, os privilégios; deve apostar mais na partilha e no dom da vida do que na posse de bens materiais ou na eficiência das estruturas. Se a Igreja não testemunhar, no meio dos homens, essa lógica de realeza que Jesus apresentou diante de Pontius Pilatus, está a ser gravemente infiel à sua missão.


O Projeto de Deus nas homilias

Aproveitando o Tempo Litúrgico, estamos estudando a História da Salvação, começando pela criação, pecado dos primeiros pais, início de um novo tempo com a vocação de Abraão. Uma história que revela o Projeto de Deus para a Humanidade. Aprendemos com a história de nossos antepassados, conhecendo o pensamento de Deus, seu Projeto e seus Sonhos para o Ser Humano, homem e mulher. Não é uma história semelhante a de Tiradentes, Caxias ou descobrimento do Brasil. Nós fazemos parte dessa história e ela acontece ainda hoje. Estamos dentro do livro que conta a nossa história de luzes e sombras, alegrias e tristezas, aproximação e afastamento de Deus. Acompanhe as homilias de nossas missas para conhecer o Projeto de Deus. É importante para sabermos o que Deus pensou para nós e a humanidade, e qual a nossa parte na construção dessa história de Salvação que tem como ponto alto a Pessoa de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição.

Acompanhe nossas homilias e leia a Bíblia em sua casa. Os 11 primeiros capítulos a Criação, a Família, o pecado dos primeiros pais. A vocação de Abraão, no cap. 12 e seguintes iniciando a formação do Povo de Deus…

A resposta a essas questões atuais do homosexualismo, ideologia do gênero e outros quetais precisam ser buscadas no Projeto de Deus para a Humanidade. Não é questão de opinião das Igrejas Católica ou Evangélica, o querer de Deus


Jesus é a Videira – Jo. 15

Jesus sabe que nos dirigentes judaicos decidiram mata-lo. Então prepara os apóstolos para a Missão. Está nos capítulos 13 a 17,26. Nosso comentário está no cap. 15 de João. Jesus usa simbologia do AT: a videira, os ramos e os frutos. Jesus se apresenta como a Videira.

Jesus não criou um gueto fechado onde os seus discípulos podem viver tranquilamente sem “incomodarem” os outros homens. Ele criou  uma comunidade viva e dinâmica que tem como missão testemunhar em gestos concretos o amor e a salvação de Deus.

Sem mim nada podeis fazer, disse Jesus.  Deus já ficou decepcionado com o povo de Deus porque produziram frutos amargos. Agora, Jesus é a Videira. Ventilador não funciona se não estiver ligado na tomada. Geladeira não funciona se não estiver ligado na tomada. Assim, se não estamos ligados em Jesus, nada produzimos.

Se os nossos gestos concretos não derramam amor sobre os irmãos que caminham ao nosso lado; se não lutamos pela justiça, pelos direitos e pela dignidade dos homens e mulheres; se não construímos a paz e não somos arautos de reconciliação; se não defendemos a verdade. estamos a trair Jesus e a missão que Ele nos confiou.

E não sejamos fechados a ponto de pensar que somente nós produzimos bons frutos. O contrário do que disse Jesus também é verdade: quem produz Bons Frutos é porque está ligado a Deus… Não vamos excluir outras religiões e espiritualidades das virtudes que praticam “fazendo o Bem”.

 


Políticos, Pastores ou Mercenários ?

                    O “pastor mercenário” é o pastor contratado por dinheiro. O rebanho não é dele e ele não ama as ovelhas que lhe foram confiadas. Limita-se a cumprir o seu contrato, fugindo de tudo aquilo que o pode pôr em perigo a ele próprio e aos seus interesses pessoais. Limita-se a cumprir determinadas obrigações, sem que o seu coração esteja com o rebanho. Ele tem uma função de enquadrar o rebanho e de o dirigir, mas a sua ação é sempre ditada por uma lógica de egoísmo e de interesse. Por isso, quando sente que há perigo, abandona o rebanho à sua sorte, a fim de salvaguardar os seus interesses egoístas e a sua posição.
O verdadeiro pastor é aquele que presta o seu serviço por amor e não por dinheiro. Ele não está apenas interessado em cumprir o contrato, mas em fazer com que as ovelhas tenham vida e se sintam felizes. A sua prioridade é o bem das ovelhas que lhe foram confiadas. Por isso, ele arrisca tudo em benefício do rebanho e está, até, disposto a dar a própria vida por essas ovelhas que ama. Nele as ovelhas podem confiar, pois sabem que ele não defende interesses pessoais mas os interesses do seu rebanho.
Ora, Jesus é o modelo do verdadeiro pastor (vers. 14-15). Ele conhece cada uma das suas ovelhas, tem com cada uma relação pessoal e única, ama cada uma, conhece os seus sofrimentos, dramas, sonhos e esperanças.  É este amor, pessoal e íntimo, que leva Jesus a pôr a própria vida ao serviço das suas ovelhas, e até a oferecer a própria vida para que todas elas tenham vida e vida em abundância. Quando as ovelhas estão em perigo, Ele não as abandona, mas é capaz de dar a vida por elas. Nenhum risco, dificuldade ou sofrimento O faz desanimar. A sua atitude de defesa intransigente do rebanho é ditada por um amor sem limites, que vai até ao dom da vida.
              O que é decisivo, para integrar a comunidade de Jesus, é acolher a sua proposta, aderir ao projeto que Ele apresenta, segui-l’O. Nascerá, então, uma comunidade única, cuja referência é Jesus e que caminhará com Jesus ao encontro da vida eterna e verdadeira. Ao dar a sua vida, Jesus está consciente de que não perde nada. Quem gasta a vida ao serviço do projeto de Deus, não perde a vida, mas está a construir para si e para o mundo a vida eterna e verdadeira. O seu dom não termina em fracasso, mas em glorificação. Para quem ama, não há morte, pois o amor gera vida verdadeira e definitiva.

               Essa reflexão nos leva a pensar em nossos governantes, nossos políticos, eleitos por nós: são eles pastores ou mercenários? Pensam em si ou no povo?  Jesus diria: buscam privilégios para si ou serviço ao povo?


Homilia de domingo

Neste ano estamos estudando o Evangelho de São Marcos, com leituras diárias. Marcos foi o primeiro a escrever o evangelho. Foi o primeiro catecismo da Igreja Católica. Ele quer apresentar Jesus ao povo e, para isso, usa os capítulos de 1 a 8. Jesus é  batizado no Jordão e inicia a sua missão. Rompe com sua família, deixa a profissão, escolhe a vida de celibatário para dedicar-se integralmente à Missão que o Pai lhe propôs. Começa chamando os primeiros discípulos para formar sua Equipe. João, André, Simão, Tiago são os primeiros que aceitam o convite.

O Livro do Deuteronômio nos fala que Deus enviará um grande Profeta. Ele deverá revelar tudo e virá com uma missão. Deverá falar tudo o que o Pai lhe pedir. Jesus é esse Profeta. Ele deixa Nazaré e vai morar em Cafarnaum, onde vivem os primeiros discípulos. Como bom judeu, cumpridor das leis, vai à Sinagoga para rezar, ouvir a leitura da lei e dos profetas, cantar e meditar. Após as leituras [e convidado a fazer a homilia. Todos ficam admirados: “Quem é Ele? ele fala como quem autoridade”. Sim, Ele fala com o coração. Não fica repetindo frases nem faz uma leitura fria da lei. Fala de coração para coração. Todos sentem a força de sua palavra. A Palavra é que tem autoridade.

Na Sinagoga está também um homem “tomado do espírito mau”. Ele é dependente, escravo desse espírito. Ele é o reflexo e a imagem do homem intolerante, que não aceita o contrário, vivendo um fanatismo religioso. Esse é o espírito mau que torna o homem insensível, escravo, fanático, incapaz de ver a realidade, que perde o senso crítico e fica escravo da letra, da doutrina, do poder. Assim acontece na realidade de hoje: esse fanatismo e intolerância acontece na pessoa católica, evangélica ou muçulmana. É o espírito mau que tira o senso crítico e torna a pessoa cega, dependente, escrava. Gente que acredita em todas as notícias que vê e que ouve, mesmo estando longe dos acontecimentos e da realidade. Aconteceu nas últimas eleições.

“Cala-te, diz Jesus, e sai desse homem”. João diz que as Bodas de Caná foi o primeiro milagre de Jesus, milagre da transformação, da mudança. Marcos tem outro objetivo: quer apresentar Jesus como aquele que liberta da escravidão, por isso, fala do homem “possuído pelo espírito mau”, como primeiro milagre que acontece na Sinagoga. É o mesmo sentido. É Marcos apresentando aos p primeiros cristãos quem é Jesus.

 


Vocação – algo muito pessoal

Carlos nasceu no Paraguay em uma família nobre, descendente de espanhóis. Ao concluir o colegial, o jovem manifestou o desejo de ser padre. Logo o pai retrucou: seu avô era arquiteto, eu sou arquiteto, você também será arquiteto”. Carlos obedeceu e ingressou na Universidade. Foi um aluno brilhante e disciplinado.

No dia da formatura aconteceram todas aquelas cerimônias: discursos, entrega de diploma, baile, coquetel. Quando tudo terminou, Carlos pegou o “canudo”, dirigiu-se para o pai e disse: “Papai, aqui está o SEU diploma. Amanhã, às 18h00 tenho que me apresentar ao Seminário dos Padres Betharram onde sou esperado para iniciar o noviciado e meus estudos.

Cada um em sua vocação, suas inclinações, seu ideal, seus talentos. É pessoal e intransferível. Com cinco anos eu já queria ser padre. Os questionamentos vieram na filosofia obrigando-me a tomar uma decisão. Como padre escolhi os cursos de psicopedagogia e de jornalismo. Vieram outras escolhas que não prejudicavam o exercício do ministério sacerdotal.

Vocação é algo interior: família, ambiente, influenciam e condicionam. Mas, é preciso ouvir a voz interior. André e João conheceram Jesus no Rio Jordão. Sentiram-se atraídos por Ele. Quiseram conhecê-lo. Jesus oferece condições: “Vinde e vede!” Passaram a tarde toda conversando. Mais adiante Jesus chama Simão, Mateus e, assim, muitos outros. A cada um dá a oportunidade de responder livremente. Cada um tem um temperamento, uma personalidade, seu modo de ser, pensar e agir. Todos são chamados. Todos respondem livremente.

Samuel ouve o chamado. Responde, mas não sabe quem o chama. Ele precisa do sacerdote para discernir sua vocação. Deus conta com a mediação. Precisamos de alguém para nos ajudar a discernir. O sacerdote não diz a Samuel o que ele deve fazer. Diz apenas: “Da próxima vez que você ouvir o chamado diga: “Fala, Senhor que teu Servo escuta!” É preciso saber ouvir a voz interior. Os pais precisam ser “mediadores” e respeitarem as inclinações e escolhas de seus filhos. Queridos pais: qual seria a sua reação se um de seus filhos manifestasse o desejo de ser padre?

Quando escolhemos algo que está de acordo com nossas inclinações, interesses, dons e talentos, exercemos a profissão e a vocação com alegria. Somos nós mesmos. Realizamos aquilo que somos interiormente. Quando apenas interpretamos papeis, vivemos num teatro, os problemas serão sempre problemas e não, simplesmente um desafio a vencer e superar. Superar a nós mesmos!