Capela do Santíssimo

Capela

Por ocasião da restauração do Templo dedicado a Cristo Rei, a partir de 15 de agosto de 2004, o pároco, Côn. Luiz Carlos F. Magalhães aproveitou a ocasião para construir a capela do Santíssimo Sacramento para que o povo tivesse um lugar mais recolhido para seu encontro com Jesus Eucarístico.

O projeto com todos os simbolismos que o pároco desejava fosse expresso no local, contou com a colaboração de vários assessores: Idealização, Côn. Luiz Carlos F. Magalhães, Engenheiro, Tiago Melilo Magalhães, assessoria artística e visualização, Catarina de França, arquiteta Maria Sílvia, artesanato em madeira, Arte dom Bosco, Vitrais Geuer, pinturas externas e internas, Sérgio e Augusto

Inauguração

Para a inauguração da capela, na Quinta-feira, Festa de Corpus Christi, 26 de maio de 2005, Padre Magalhães preparou um texto inspirado no Livro do Êxodo, capítulo 25:

“Há muitos anos sonhei uma casa para nosso Mestre Maior. Aquele que aboliu o sacrifício diário se oferecendo como Cordeiro a ser Imolado. Um lugar para o nosso Mestre Maior que nos ensina diariamente a ultrapassar as fronteiras da morte, a renascer da divisão para a Totalidade.

No Livro do Êxodo, capítulo 25, li a narrativa em que Deus falava a Moisés: “Diga ao povo de Israel que me faça uma oferenda elevada. E então vai escrevendo como gostaria de um lugar para ser encontrado! Uma Arca de madeira da Acácia, dois querubins de ouro, um em cada extremidade. Uma mesa de madeira, um candelabro de ouro de seis braços e uma haste principal, o incenso sagrado… Que toda madeira seja ornada com ouro, prata e bronze, e com pedras preciosas. Que ali sejam feitas oferendas ao Santo dos Santos. E que ali os escolhidos possam falar com Deus face a face”.

Inspirado nesse texto, sonhei com uma capela de madeira que não fosse um quadrado, uma caixa. Para ser original, idealizei uma arquitetura hexagonal: as seis paredes simbolizam o selo de Salomão e as seis pontas da estrela de Davi, em cuja linhagem o Mestre nasceu. Também significam os seis braços do candelabro judaico, unidos pela haste principal, a Luz mais importante que é Jesus. E seis também foram os dias da criação para preparar o Dia do descanso, do repouso.

A capela foi sonhada para ser uma espécie de tenda da “revelação”: o lugar afastado dos nossos barulhos cotidianos para que possamos entrar em comunhão, em fraternidade e em silêncio com o Mestre Jesus. Por isso, é fechada com cortinas de fino voal. Os vitrais coloridos e a passadeira de cizal não são para decorar, mas para velar. O ornamento desta capela é Cristo em comunhão com você. Do contrário não faz sentido.

Tudo foi feito de madeira como se fosse da marcenaria de José: o assoalho, a mesa, os genuflexórios, as cadeiras. As almofadas aí  colocadas para nosso conforto recordam o trabalho de Maria nos teares. No silêncio deste santuário colocamos parte de uma árvore frondosa doada pela Mãe Terra para ser suporte e mesa. Estaremos em frente à Árvore da Vida e ao Tronco principal do qual somos os ramos. Para nos sentirmos parte dela, a Árvore, ou parte dele, o Mestre. E também para entrarmos em comunhão com o Mestre.

E por que em vez do sacrário tradicional de prata e ouro, colocamos uma casa? A primeira casa que conhecemos é o corpo, Templo sagrado do espírito. A segunda é o Lar em que vivemos à semelhança da Casa de Nazaré e expressando o que João escreveu em seu Livro: “O Verbo se fez carne e estendeu sua tenda entre nós”.

É claro que esta artesanal “casinha” de Jesus não foi revestida de ouro. Sabem por que? Porque o ouro, a prata e o bronze, as pedras preciosas e todo o ornamento são as qualidades, valores e virtudes que cada um deve trazer diariamente para enriquecer esse ambiente sagrado. O ornamento desta capela é Cristo em comunhão com você. Do contrário não faz sentido: uma casa que ninguém visita fica triste e abandonada. Não se esqueça, portanto: as lâmpadas de azeite na porta são como um chamado de Marta quando Jesus veio ressuscitar Lázaro. Por isso, a inscrição: “O Mestre está aí e te chama”. Para a Festa da Vida em sua casa, para a Comunhão do Amor.

A primeira comunhão com esta Árvore da Vida é a da sabedoria, a da compreensão. A segunda comunhão que o Mestre nos revela na “Tenda” é a comunhão do coração, da identificação com ele e com o outro; a comunhão dos sentimentos, da misericórdia e da compaixão. A terceira comunhão que Ele quer é a comunhão física, a do Corpo. Quando o Pão e o Vinho são ingeridos de fato, o Mestre e toda a sua grandeza se incorpora a nós fisicamente.

Nessa capela, “Tenda do Senhor”, somente o sacrário chama a atenção. Tudo foi feita para que o olhar do visitante se concentre unicamente no Mestre. Na “casinha” de Jesus, iluminada por dentro com uma luz vermelha, estão a porta e janela; nelas foi colocado um vidro, permitindo às pessoas contemplar as âmbulas que sugerem exposição do Santíssimo, silêncio, contemplação e comunicação.”