20º Domingo do Tempo Comum

20º Domingo do Tempo Comum

 

Deus fez uma aliança com seu povo ao sair das terras do Egito. Deus se comprometeu acompanhar, ajudar e defender o povo durante toda a caminhada do deserto até a Terra Prometida… enquanto o povo deveria observar todos os preceitos de Deus. Deus é sempre fiel às suas promessas, mas, o povo, sempre esquecido de seus deveres e preocupado consigo mesmo, costuma ser infiel. Para manter essa fidelidade, ao longo do caminho, Deus sempre vai escolhendo os Profetas para realizar essa missão de lembrar o povo de suas obrigações.

 

Na leitura deste domingo, Isaías denuncia: o povo está rejeitando, excluindo, os estrangeiros e quebrando a aliança: “Cumpri o dever e praticai a justiça”. É preciso agir com justiça, diz o Profeta, e acolher a todos; Deus não aceita que excluamos os outros da salvação. Todos os profetas sempre anunciaram: a salvação é universal, é para todos. Não cabe a nós julgar, condenar, ou dizer quem deverá ser salvo ou não.

 

No evangelho da mulher cananéia, os discípulos vão fazer o mesmo. Para aquela mulher que veio da cananéia a fim de pedir a cura de sua filha, e vem gritando e insistindo, pedindo socorro a Jesus, os discípulos dizem: “Manda embora essa mulher que vem gritando atrás de nós!” o evangelista e escritor São Mateus vai colocar na boca de Jesus o pensamento de Deus: “Eu fui enviado para as ovelhas perdidas, excluídas, esquecidas, da casa de Israel”. Exclusão não é do plano de Deus. Ele quer a todos no banquete do seu Reino que prepara para todos, sem exclusão. Jesus disse: “Eu vou e voltarei porque para onde eu vou quero que vós estejais comigo!”. Essa deve ser sempre nossa atitude como cristãos, na igreja, na comunidade, na pastoral, na vida dos sacramentos, em nosso cotidiano.

 

 

A mulher é insistente, perseverante. Por três vezes faz o pedido: “Filho de Davi tem piedade de mim… Senhor, socorre-me… os cachorrinhos também comem das migalhas que caem da mesa…”  Para entender esse texto é preciso saber que os judeus costumavam chamar os cananeus de “cachorrinhos”. Não temos hoje um time de futebol que chama de porco… e outro de macaca?…. A mulher se coloca no lugar de uma cachorrinha, na sua humildade. Os judeus julgavam que o pão, ou seja, a salvação, deveria ser partilhada apenas com o povo judeu. Por isso, Jesus prova a fé daquela mulher pagã dizendo, “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinho”. Mas, essa mulher não desiste de seu sonho: a cura de sua filha. E acredita que Deus não é mesquinho para dar somente a alguns e excluir os demais. A mulher cananéia sabe disso em seu coração. E consegue o milagre. Que belo o elogio de Jesus com a sua resposta que chama a atenção: “Grande é a sua fé, mulher, seja feito conforme tu queres”.  Jesus não diz, “conforme EU quero”, mas “conforme TU queres”. Recebemos a Graça na medida de nossa Fé.